Ainda há esperança para o Demônio da Tasmânia

Já faz alguns anos que os biólogos começaram a notar que o marsupial carnívoro mais velho do mundo, o demônio da Tasmânia, vem sendo dizimado por uma doença contagiosa que causa tumores no rosto e impedem o animal de se alimentar após alguns meses, levando-o à morte por inanição. A situação é preocupante, porque em 20 anos, 80% dos espécimes foram mortos pela doença. Tendo isso em vista, o governo da Tasmânia gastou 7.5 milhões de dólares na proteção desses animais, na esperança de que os cientistas encontrem uma cura e evitem sua extinção.

Até o momento, parecia improvável que as próximas gerações chegassem a conhecer esse animal alto e mal-humorado, conhecido como Demônio por causa de seus gritos estridentes, mas pode ser que ainda haja alguma esperança.

A doença que vem dizimando a espécie pode passar de um animal para outro com uma simples mordida, algo que ocorre constantemente por causa do temperamento feroz da espécie.

No entanto, os biólogos descobriram que muitos espécimes que deveriam ter morrido da doença após terem sido mordidos ainda continuam vivendo. 

Para descobrir o motivo disso, cientistas compararam o genoma presente nos espécimes, cujas amostras foram colhidas em três locais diferentes da Tasmânia, com genomas de animais que viveram há décadas, quando a doença ainda não parecia afetar os animais.

Eles descobriram que o DNA dos sobreviventes mostrou mudanças em sete genes diferentes, cinco dos quais relacionados ao câncer ou funções imunológicas de mamíferos, incluindo os seres humanos. 

Com base nas funções desses genes em outras espécies, os cientistas acreditam que essas modificações poderiam proteger os demônios da Tasmânia da terrível doença, ajudando o sistema imunológico dos animais a reconhecer os tumores como inimigos.

Os pesquisadores responsáveis pelo estudo continuarão a decifrar os minúcias das modificações genéticas, com a esperança de aproveitar esse conhecimento para salvar a espécie que corre cada vez mais risco de extinção.

É reconfortante pensar que, mesmo sem a ajuda humana, a evolução está dando um jeito desse velho marsupial lutar pela continuidade de sua espécie.

Miguel Artime