Lukashenko acusa oposição de desestabilizar situação com ajuda ocidental

Moscou, 20 mar (EFE).- O presidente de Belarus, Aleksandr Lukashenko, acusou nesta segunda-feira a oposição democrática de tentar desestabilizar a situação no país com a ajuda dos países ocidentais.

"Nos preocupam as tentativas de aquecer a situação dentro de Belarus com a ajuda dos modernos métodos de luta e oposição", disse Lukashenko, segundo informou a agência oficial "Belta".

Lukashenko acusou de tais planos a "quinta coluna" e os "descerebrados", os termos que o considerado último ditador da Europa costuma utilizar para se referir à oposição.

O líder denunciou que os opositores, o que inclui os políticos bielorrussos exilados no exterior, são apoiados e financiados por "fundações e secretos serviços ocidentais".

Contudo, insistiu que "isso não é um problema" e que as autoridades controlarão a situação no país.

Lukashenko, no poder desde 1994, se referia aos protestos das últimas semanas pela controversa lei contra a desocupação, em virtude da qual o governo quer castigar com um imposto os que trabalham menos de 183 dias por ano.

O que começou sendo no início do ano um protesto tímido pela aplicação de dita lei, se transformou em um movimento contestatário com manifestações nas principais cidades do país: Minsk, Brest, Moguiliov, Gomel, Grodno e Vitevsk.

Em Belarus não eram vistos protestos tão grandes desde as manifestações contra a fraude eleitoral de 2010, que acabaram com a detenção de mais de 500 ativistas opositores, incluídos vários candidatos à presidência.

"A maioria dos manifestantes nunca tinha saído às ruas. O protesto é social, não político. 90% dos bielorussos acreditam que o imposto é injusto e não estão dispostos a pagar", afirmou à Agência Efe Yaroslav Romanchuk, que foi candidato à presidência nas eleições de 2010.

Apenas 54 mil bielorrussos pagaram até agora ditas multas, 10% do total de pessoas afetadas, estimadas em pouco mais de meio milhão, segundo calcula a imprensa.

Muitos dos afetados por essa controversa lei são pessoas com emprego que unicamente vão ao posto de trabalho uma ou duas vezes por semana, devido à crise econômica, e recebem um salário insignificante.

Perante a aparência que tomavam os protestos, Lukashenko decidiu em 9 de março modificar a lei, impôs uma moratória de um ano ao pagamento de dito imposto e prometeu devolver o dinheiro àqueles que encontrem trabalho em 2017.

Nas últimas duas semanas, vários opositores foram detidos em manifestações nas quais também resultaram foram presos diversos jornalistas, o que provocou protestos da ONU. EFE