Airbnb pede desculpas após alugar 'cabana de escravos' de 1830

Exemplo de uma senzala norte-americana em uma plantação no Sul do país (Getty Images)
Exemplo de uma senzala norte-americana em uma plantação no Sul do país

(Getty Images)

  • Airbnb pede desculpas após permitir locação de 'cabana de escravos da década de 1830';

  • Senzala nos EUA foi renovada com banheira, água corrente e acesso à Netflix e HBO;

  • Internautas se revoltaram após advogado denunciar o caso no TikTok.

O Airbnb, site de locações por temporada, pediu desculpas após permitir o aluguel de uma “cabana de escravos da década de 1830”. Localizada em Greenville, Mississippi (EUA), a estalagem foi listada como parte da “plantação de Belmont” e teria abrigado, no passado, mais de 80 pessoas em situação de escravidão.

Ao Insider, a plataforma garantiu que removeria todos os anúncios similares. “As propriedades que anteriormente abrigavam os escravizados não têm lugar no Airbnb”, disse um porta-voz da empresa. "Pedimos desculpas por qualquer trauma ou sofrimento criado pela presença desta listagem e de outras semelhantes, e por não termos agido antes para resolver esse problema".

Apesar de ter funcionado como uma senzala, o interior da cabana foi completamente renovado, substituindo o significado histórico por roupas de cama, água corrente, banheira, luminárias modernas e acesso à Netflix e HBO. Entretanto, só ganhou visibilidade – e revolta – após o advogado Wynton Yates publicar um vídeo no TikTok denunciando o anúncio.

“Como está certo na mente de alguém alugar isso? Um lugar onde seres humanos eram mantidos como escravos. Alugar isso como uma cama e café da manhã”, criticou Yates, que tem 41.000 seguidores na plataforma. O primeiro vídeo sobre a cabana foi visto mais de 2,7 milhões de vezes.

O mais chocante, no entanto, é a nota 4,97 (de 5) que o local recebeu no Airbnb. Dentre as 68 avaliações, vários hóspedes elogiaram a estadia, o pôr do sol, o café da manhã e o significado que o local tem – incluindo um comentário que chamou a senzala de “elegante”.

Em entrevista ao The Washington Post, o proprietário, Brad Hauser, disse que foi “decisão do proprietário anterior de comercializar o prédio como o local onde os escravos dormiam", algo ao qual ele "se opunha fortemente", segundo o jornal. "Não estou interessado em ganhar dinheiro com a escravidão", disse.

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