Ajoelhados: entenda por que gesto da seleção inglesa é sinal de protesto; relembre episódios

O confronto entre Inglaterra e Irã — segunda partida disputada nesta Copa do Mundo do Catar — começou com um protesto: atletas ingleses se ajoelharam no meio campo antes da bola rolar, contra o racismo. O ato se dá após a desistência de uma outra manifestação, cancelada devido a ameaças de punições esportivas. Sete seleções iriam entrar em campo com a braçadeira 'One Love', em apoio à causa LGBTQIAP+. No Catar, a homossexualidade é criminalizada.

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Antes da partida, o técnico inglês definiu como "a maior ocasião possível" as circunstâncias para que seus jogadores se ajoelhassem antes da partida:

— Achamos que isso vai ser um grande posicionamento e que vai circular ao redor do mundo, principalmente para que os jovens possam ver que a inclusão é muito importante — disse o técnico Gareth Southgate.

Até a véspera do jogo, estava decidido que capitão inglês Harry Kane entraria com uma braçadeira com a frase "One Love" em campo, fato que não foi para a frente devido às possíveis punições que os jogadores sofreriam. O adereço criado pela federação holandesa, chegou a ganhar a adesão de outros nove países: Inglaterra, Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Noruega, Suécia, Suíça e País de Gales. O objetivo era divulgar a mensagem de inclusão e igualdade durante a Copa do Mundo do Catar: ela se reflete no uso da braçadeira com um coração contendo seis cores (que não são as do arco-íris).

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Por que ajoelhar?

Em 2016, o jogador da NFL (liga de futebol americano dos EUA) Colin Kaepernick, do San Francisco 49ers se negou a ficar de pé durante a execução do hino dos Estados Unidos, como forma de protesto, para chamar a atenção para a violência policial contra negros. A posição de joelhos foi adotada como sinal de respeito aos militares veteranos, que se incomodaram com sua imagem sentado diante da bandeira americana.

O gesto também foi um símbolo dos protestos pela morte de George Floyd, em 2020, que foi repetido pelas ruas dos EUA. Floyd morreu aos 46 anos depois que o policial branco Derek Chauvin ajoelhou-se sobre o seu pescoço por quase nove minutos, em Minneapolis, no estado e Minnesota, em 25 de maio.

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No esporte, o símbolo se replicou antes dos eventos. Partidas de basquete da NBA foram boicotadas por jogadores, que mantinham-se de joelhos à beira da quadra. Nas pitas, pilotos da Fórmula 1 também repetiram o gesto antes do GP da Estíria, em 2020. Nos campos, o protesto foi feito até em partidas no Brasil, como em jogo do Botafogo pelo Campeonato Carioca, em que os seus atletas atuaram com a frase "Vidas negaras importam" estampadas no uniforme e também se ajoelharam antes do apito inicial.

Nesta segunda-feira, Inglaterra e Irã fazem o primeiro jogo do grupo B — apenas a segunda partida disputada na Copa do Mundo do Catar — no estádio Internacional Khalifa. A rodada do grupo será fechada nesta tarde, às 16h, no jogo entre EUA e País de Gales, no estádio Ahmad Bin Ali.