Ajustar vacinas para variantes do coronavírus não será simples, alertam farmacêuticas

Julie Steenhuysen e Michael Erman
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Seringas e frasco com vacina Pfizer/BioNTech contra Covid-19 em asilo de Madri

Por Julie Steenhuysen e Michael Erman

CHICAGO (Reuters) - Depois de desenvolverem e distribuírem vacinas contra Covid-19 em tempo recorde, farmacêuticas já estão lidando com variantes do coronavírus de evolução rápida que podem torná-las ineficazes, um desafio que exigirá meses de pesquisas e um investimento financeiro de peso, de acordo com especialistas em doenças.

Executivos da Moderna, da Pfizer e de sua parceira BioNTech estão cogitando novas versões de suas vacinas para reagir às variantes mais preocupantes identificadas até agora – e esta é só uma parte do trabalho necessário para não perder terreno para o vírus, disse quase uma dúzia de especialistas à Reuters.

Uma rede global de vigilância precisa ser montada para verificar variantes emergentes, cientistas precisam determinar qual nível de anticorpos será necessário para proteger as pessoas da Covid-19 e quando as vacinas precisam ser alteradas, e agências reguladoras precisam comunicar o que é preciso para demonstrar que as vacinas atualizadas continuam seguras e eficientes.

"A esta altura, não existem indícios de que estas variantes mudaram a equação em termos de proteção da vacina", disse o doutor Michael Osterholm, especialista em doenças infecciosas da Universidade de Minnesota. "Mas precisamos estar preparados para isso."

A Johnson & Johnson disse à Reuters que a variante identificada primeiramente na África do Sul chamou sua atenção e que a empresa adaptará sua vacina de acordo, se necessário. A Pfizer disse que poderia produzir uma vacina nova relativamente rápido, mas um executivo destacado da área de vacinas disse que a fabricação apresenta desafios adicionais.

A urgência do esforço é evidente. Na segunda-feira, a Moderna disse que estudos de laboratório mostraram que anticorpos feitos em reação à sua vacina são seis vezes menos eficientes na neutralização de uma versão de uma variante sul-africana criada em laboratório do que versões anteriores do vírus.

Um estudo divulgado na quarta-feira, antes de uma revisão da comunidade científica, revelou que a variante sul-africana reduziu os anticorpos neutralizadores 8,6 vezes em relação à vacina da Moderna e 6,5 vezes em relação à vacina da Pfizer/BioNTech, embora um estudo separado apoiado pela Pfizer, e também divulgado na quarta-feira, indique que sua vacina pode ser mais resistente. A Moderna disse nesta semana que está começando a trabalhar em uma vacina de reforço em potencial.

Ainda não se sabe até que ponto a proteção pode diminuir antes de uma vacina contra Covid-19 precisar ser alterada. No caso da gripe, uma redução de oito vezes na proteção de anticorpos induzida por uma vacina significa que é hora de uma atualização, mas isso não necessariamente se aplica a este coronavírus.

(Por Julie Steenhuysen em Chicago e Michael Erman em Nova York)