Além de 'chamado divino', manifestante cita 'controle de Hitler' ao justificar cartaz com suástica em Câmara no RS

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RIO - A manifestante responsável por levar um cartaz ilustrado com uma suástica à Câmara Municipal de Porto Alegre na última semana justificou à polícia que, além de ter recebido um "chamado divino", quis fazer uma analogia com o controle exercido pelo ditador Adolf Hitler na Alemanha nazista. A tese da comparação foi corroborada pelo depoimento de outro manifestante que assumiu o cartaz quando a mulher foi convidada a se retirar do plenário.

O episódio ocorreu durante sessão que deliberava sobre o veto da prefeitura da capital gaúcha à exigência do passaporte vacinal. Na ocasião, manifestantes contrários à obrigatoriedade interromperam os vereadores e chegaram a trocar socos e empurrões.

Imagens compartilhadas nas redes sociais mostraram a confusão e initimidações aos parlamentares. Uma mulher chamou a vereadora Bruna Rodrigues (PCdoB), que é negra, de "empregada". O conteúdo das gravações foi confirmado à polícia por seguranças da Câmara, que relataram em depoimento esta semana que todos os presentes foram identificados antes de ingressar no plenário. Segundo eles, todos os manifestantes eram a favor do veto do prefeito, apesar de terem aberto para aqueles contrários ao ato.

Durante o protesto, uma mulher, cujo nome não foi revelado, exibiu um cartaz com uma suástica e uma seringa sob sinal de proibido. A suspeita assumiu ter confeccionado a placa e outras duas, bem como explicou que a decisão se deu após receber um "chamado divino" quando foi receber a segunda dose da vacina contra a Covid-19. Ela foi retirada do plenário ao perceberem o conteúdo do cartaz e o passou a outro manifestante.

— Ela é contra o passaporte vacinal e disse que teria relação com o que foi feito na época do Holocausto, o controle que era exercido por Hitler. Ela disse que recebeu um chamado divino. O primeiro foi quando foi tomar a segunda dose da vacina, que ela ouviu que não deveria tomar e que, a partir daí, deveria de certa forma influenciar outras pessoas. Foi àquela manifestação nesse sentido — disse a delegada Andrea Mattos, titular da Delegacia de Combate à Intolerância de Porto Alegre.

Segundo Mattos, a mulher relatou ainda que não possui vínculo político-partidário e afirmou que conheceu no plenário o rapaz com quem deixou o cartaz. O manifestante também alegou que os dois não tinham relações pretéritas. O homem disse que repudiava o controle estatal, motivo pelo qual endossou a analogia por meio da imagem da suástica.

— O rapaz que assumiu o cartaz disse que concorda com essa questão da desnecessidade do controle estatal, mas que eles não apoiam, não são antissemitas, nada assim. Só fizeram a comparação — contou a delegada.

A Polícia Civil apura qual era de fato o intuito do cartaz e se havia alguma relação com políticos. Dois inquéritos foram instaurados para investigar os acontecimentos na sessão. Um deles analisa se houve racismo na fala da manifestante em que chama uma vereadora de empregada. O outro verifica a existência de apologia ao nazismo com o cartaz. Segundo a legislação, é necessário comprovar a finalidade de divulgação das ideias nazistas.

Testemunhas que teriam presenciado a suposta ofensa à vereadora relataram que outros gestos em alusão à cor da pele e declarações ratificariam o preconceito. A suspeita alega que o termo empregada foi usado no sentido de "representante do povo".

As imagens oficiais do circuito de segurança da Câmara já foram solicitadas e serão decisivas para as investigações. Os vereadores que registraram ocorrência também serão intimados a depor novamente para explicar o que aconteceu.

— A gente está fazendo análise do material que chegou para nós através das denúncias, mas, para mim, são imprescindíveis as imagens oficiais da Câmara. Quero olhar tudo o que aconteceu naquelas horas, não só no plenário, mas do lado de fora também — disse a delegada.

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