Além das comemorações, reivindicações: Nova York homenageia seus 'trabalhadores essenciais'

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Para além das homenagens, as reivindicações: Nova York celebrou nesta quarta-feira (7) os "heróis" que permitiram que a cidade resistisse ao golpe da pandemia - entre médicos, entregadores e funcionários do metrô - que agora aguardam por sinais de reconhecimento, não apenas gestos simbólicos.

Na tradição de Nova York, centenas de "trabalhadores essenciais" marcharam pela Broadway, no sul de Manhattan, onde soldados que voltaram do fronte nas guerras marcharam no passado, além de astronautas no final de históricas missões espaciais, chefes de Estado e campeões esportivos.

O desfile foi aberto com a enfermeira Sandra Lindsay, que em meados de dezembro foi a primeira pessoa a ser vacinada contra o coronavírus nos Estados Unidos, sentada no banco traseiro de uma limousine conversível.

Entre a música da orquestra e sob aplausos, apesar do forte calor, o desfile foi seguido por grupos de médicos e enfermeiras, entregadores, funcionários de transportes públicos e supermercados, porteiros de edifícios e outros.

Entre os milhares de participantes e espectadores, Sara Cavolo, moradora do Brooklyn, aproveitou o momento.

"Passamos por um período traumatizante, perdemos entes queridos, amigos, colegas (...) Não tinha ninguém andando na rua, só ouvíamos o silêncio. É tão forte recuperar-se de tudo isso. E é simplesmente bom comemorar", afirmou essa mulher, de 38 anos, que trabalha com marketing.

A capital econômica e cultural americana foi fortemente atingida pela pandemia, especialmente em abril e maio de 2020. No total, mais de 33.000 pessoas morreram por causa da covid-19 em Nova York.

Cavolo, que mora perto de um hospital, ainda se lembra "daqueles caminhões que eram na verdade necrotérios móveis".

- "Salvaram nossa vida" -

Em uma cidade ainda traumatizada pelo vírus, muitos querem expressar seu agradecimento a todos aqueles que fizeram funcionar a metrópole de 8,5 milhões de habitantes.

"Esses trabalhadores do dia-a-dia, que não são reconhecidos, literalmente salvaram nossas vidas", disse outra nova-iorquina, Melinda Mlinac.

Como muitos, ela gostaria de ouvir falar sobre "melhores salários" para essas profissões consideradas essenciais.

"É um momento de muita alegria (...) mas nunca vamos esquecer aquelas pessoas que pegavam o metrô quando era perigoso", acrescentou.

"As empresas de entrega de alimentos, a Amazon, todas essas empresas devem reconhecê-los e conceder-lhes melhorias", ressalta.

Sob as réplicas das "fitas de cotação" jogadas por corretores da bolsa quando o desfile passou por Wall Street, os que desfilaram também exibiam suas reivindicações em cartazes.

"Mais enfermeiras = melhor atendimento", dizia o cartaz de um funcionário do setor de saúde; "Protejam nossos parques", reclamaram os funcionários dos jardins públicos, enquanto os funcionários do metrô pediam por uma gratificação por conta do risco.

Alguns trabalhadores até boicotaram o desfile, incluindo motoristas de ambulância, por exigirem salários mais altos, ou bombeiros, que consideram antecipado comemorar quando a variante Delta começa a avançar.

Para Yomaris Pena, diretora da ONG Somos, que desfilava como médica, as demandas desses trabalhadores essenciais são justificáveis.

"Não me considero uma heroína porque quis ser médica, sabia que tinha que fazer isso (...) mas cada uma das pessoas aqui, algumas não sabiam dizer 'não' para o trabalho, por exemplo o motorista do ônibus, as pessoas que dirigem o metrô, as que fazem a limpeza dos hospitais (...) as enfermeiras, os lojistas; a gente não pensa neles".

Para Pena, o desfile de quarta-feira foi "necessário" mas "não é o suficiente".

"É apenas o começo do reconhecimento que eles merecem pelo que fizeram", finaliza.

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