Além de Ricardo Galvão, 'Nature' lista Greta entre as personalidades do ano para a ciência

RIO — A revista científica americana "Nature" divulgou na tarde desta terça-feira as dez personalidades que, na avaliação da publicação, fizeram a diferença na ciência em 2019. Batizado de "Nature's 10", a lista incluiu a ativista ambiental Greta Thunberg, de 16 anos, que na semana passada foi escolhida como a personalidade do ano pela revista "Time". O brasileiro Ricardo Galvão, ex-presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), também foi homenageado, conforme noticiado na última sexta-feira.

Na avaliação da "Nature", a adolescente sueca lançou luz sobre como "os esforços insuficientes dos países em frear o aquecimento global ameaçam o planeta e as gerações futuras". Neste ano, Greta também foi nomeada a "Game Changer of the Year" (algo próximo de "aquele que mudou o jogo neste ano", em português) pela revista "QG", foi premiada pela Anistia Internacional e recebeu o "Right Livelihood", conhecido como o "Prêmio Nobel alternativo".

Na última semana, a jovem fez duros discursos durante a 25ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-25), onde acusou lideranças mundiais de fingirem conduzir ações contra as mudanças climáticas, abriu espaço para o protagonismo de outros ativistas climáticos e liderou uma marcha com cerca de 500 mil pessoas pelas ruas de Madri.

Cinquenta e cinco anos mais velho, o físico brasileiro Ricardo Galvão foi lembrado pela "Nature" pelo duro embate com o governo federal pelos questionamentos públicos aos dados do Inpe sobre o desmatamento galopante na Floresta Amazônica.

Para a revista, a menção se justifica pelo fato de Galvão ter "capturado a atenção global ao desafiar o presidente Jair Bolsonaro por desmentir um relatório do aumento expressivo do desmatamento na Amazônia". A publicação lembrou que o posicionamento de Galvão lhe custou o cargo de presidnete do Inpe.

A América do Sul também está representada pela ecologista argentina Sandra Díaz, que atuou como co-presidente da Plataforma Intergovernamental da Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês), um painel de 145 especialistas que, no seu sétimo encontro, em Paris, produziu um relatório denso sobre o risco da extinção de um milhão de espécies.

A lista segue com a astrofísica canadense Victoria Kaspi, que aprimorou um telescópio no seu país de origem ao ponto de capacitá-lo a extrair informações inéditas de pulsos de rádio misteriosos que intrigaram cientistas durante décadas. Nenad Sestan, professor de Medicina na Universidade Yale (EUA), é citado pelo trabalho do seu laboratório, que conseguiu reativar cérebros de porcos que haviam morrido horas antes.

O congolês Jean-Jacques Muyembe Tamfum, outro nome da lista, segundo a "Nature", lidera os esforços da República Democrática do Congo pelo combate ao ebola, que já matou 2.200 pessoas no país africano. O imunologista chinês Hongkui Deng ganhou notoriedade por ser o primeiro cientista a publicar um experimento capaz de modificar células de um humano adulto através da tecnologia de edição genética CRISPR.

Completam a lista o paleontologista etíope Yohannes Haile-Selassie pela descoberta de um esqueleto de 3,8 milhões de anos do Australopithecus anamensis, um antepassado da raça humana, o físico John Martinis, pelo anúncio de que o computador quântico de sua equipe poderia realizar cálculos mais rápidos do que um computador normal, e a professora de bioética da Universidade de Macquarie (Austrália) Wendy Rogers, que revelou ao mundo um escândalo envolvendo a doação de órgãos na China sem o consentimento de seus doadores falecidos.