Rússia afirma que Estados Unidos querem ficar na Síria para sempre

Moscou, 12 fev (EFE).- Os Estados Unidos têm a intenção de ficar para sempre na Síria, apesar de seu objetivo declarado ao intervir no país árabe ser lutar contra o Estado Islâmico (EI), denunciou nesta terça-feira o ministro de Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov.

"Temos a suspeita, com base em vários indícios, que os Estados Unidos querem ficar (na Síria) por muito tempo, se não para sempre", disse o chefe da diplomacia russa depois de se reunir em Moscou com seu homólogo belga, Didier Reynders.

Quando há vários anos liderou uma coalizão militar internacional na Síria, Washington assegurou que sua única intenção era acabar com os jihadistas, mas agora esgrimem outros objetivos para justificar sua permanência nesse país, disse Lavrov.

"Dizem que sua presença é necessária não só enquanto se cumprem todos seus objetivos militares, mas até que se inicie um processo político que deve acabar com uma transição aceitável para todos, leia-se para os EUA, ou seja, com uma mudança de regime", ressaltou.

Esta política, segundo criticou Lavrov, é realizada "sem o consentimento" do governo sírio, "da mesma forma que as ações da coalizão liderada" por Washington.

"Os americanos dão passos unilaterais (...) dirigidos à criação de um quase Estado em uma grande parte do território sírio, desde a margem esquerda do rio Eufrates e até a fronteira com o Iraque", acrescentou.

O ministro russo acusou a Casa Branca de atentar contra a integridade territorial da Síria ao criar e promover em seu território órgãos de poder alternativo que não obedecem ao governo de Bashar al Assad.

"Eles financiam para que estes órgãos funcionem e para que armem suas próprias forças de segurança, que igualmente são criadas com apoio americano", concluiu.

Dezenas de combatentes aliados de Damasco morreram na semana passada em um bombardeio da coalizão internacional liderada pelos EUA, em um ataque que segundo Washington foi em resposta a uma agressão contra seus aliados das Forças da Síria Democrática na província de Deir ez-Zor, no nordeste do país árabe.

Um grupo de ativistas que investiga a participação de mercenários russos nas guerras da Ucrânia e da Síria denunciou nesta segunda-feira que pelo menos cinco cidadãos russos que combatiam junto às milícias sírias morreram nesse bombardeio.

Segundo o Conflict Intelligence Team (CIT), com sede em Moscou, estes mercenários eram membros de uma companhia militar privada chamada "Wagner" que tem sua base no sul da Rússia e que coordena suas ações militares na Síria com o Ministério de Defesa.

A pasta militar russa respondeu que não havia soldados russos na área do bombardeio e assegurou que os milicianos partidários de Assad atuavam por sua própria conta. EFE