Ala de militares concorda com nota de Heleno sobre STF e pede “contundência” a Bolsonaro

Antonio Cruz/Agência Brasil

A nota do general Augusto Heleno, ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), ao STF (Supremo Tribunal Federal), foi apoiada por um grupo de militares da reserva que também pede mais “contundência” do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no comando das Forças Armadas.

Na última sexta-feira (22), Heleno reagiu ao pedido do ministro Celso de Mello à PGR (Procuradoria-Geral da República) de apreensão do celular de Bolsonaro no inquérito sobre a suposta interferência na chefia da PF (Polícia Federal) do Rio de Janeiro, com base em acusações do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro.

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O general, em nota, classificou a possível apreensão do celular de Bolsonaro como uma “afronta à autoridade máxima do Poder Executivo e interferência inadmissível de outro Poder” e que poderá ter consequências imprevisíveis”.

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Segundo reportagem publicada pela revista Época, três representantes do núcleo da ala militar chamado “Agir”, liderados pelo coronel Aristomendes Rosa Barroso Magno, se reuniram com Bolsonaro há duas semanas, pouco antes do pronunciamento do presidente em rede nacional.

No encontro, o grupo manifestou solidariedade ao presidente e manifestou a decepção de setores da família militar pela moderada com que os comandantes das Forças Armadas vêm atuando na escalada da crise. O Agir é composto por 100 generais e coronéis da mesma turma do ministro da Defesa, Fernando Azevedo da Silva.

“Cabe às Forças Armadas, como responsáveis pela manutenção das instituições, estabelecer limites entre os poderes constituídos. Uma das atitudes seria garantir a posse do delegado Alexandre Ramagem na direção da Polícia Federal. Não entendo o posicionamento até agora. O governo eleito é a representação da sociedade. Elas não podem fazer patrulhamento a favor do governo, mas têm de defendê-lo”, explicou Aristomendes.

“O que os ministros do Supremo pensam que são? O presidente foi escolhido pelo povo. Não pode ser contido por decisões monocromáticas. É um absurdo. Alguma postura precisa ser adotada”, queixou-se, para a revista Época, um major do Exército na ativa.