Alan Fonteles fala de sua quarta Paralimpíada e da namorada, que conheceu através do esporte: 'Bonito demais o nosso amor'

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O esporte foi um divisor de águas na vida de Alan Fonteles, de 29 anos. Pratica o atletismo desde os 8 anos. Ele sonhou, acreditou e, principalmente, treinou muito até chegar ao alto rendimento e defender o Brasil em competições dentro e fora do país - conquistou o ouro, por exemplo, nas Paralimpíadas de Londres, em 2012, qundo bateu o sul-africano Oscar Pistorius, maior astro daquela época. Usando próteses em ambas as pernas, ele está prestes a encarar o próximo desafio em Tóquio (na manhã de domingo, horário de Brasília), em sua quarta participação em jogos paralímpicos.

"O frio na barriga continua. Parece que é a primeira vez que estou aqui nas Paralimpíadas. E essa sensação é única, indescritível, não tenho como explicar... É uma nova realização da minha vida", diz Alan, que, entre as conquistas, ostenta medalhas de ouro e prata nos jogos Pan-Americanos, em 2015, e bronze nas Paralimpíadas de Pequim, em 2008.

Nada mal para o atleta que lida com a superação desde bebê. Nascido em Marabá, no Pará, Alan precisou amputar as pernas, abaixo dos joelhos, aos 21 dias de vida, devido a uma infecção no intestino. Sempre teve o apoio da família, quando, ainda criança, decidiu se dedicar ao esporte. Foi direto para o atletismo. Treinava com próteses de madeira no início da carreira e, aos 15 anos, ganhou um par feito de fibra de carbono, para competir nas Paralimpíadas de Pequim. Atualmente, ele treina em São Paulo, onde mora.

"Confesso que não imaginava (chegar até aqui). Comecei como uma criança sonhadora. Sabia que poderia me dedicar cada vez mais, fazer o meu melhor. Deus foi me abençoando e eu pude chegar a todos os resultados que eu obtive até hoje", acrescenta ele, que pretende competir nas duas próximas Paralimpíadas. "Como atleta", deixa claro.

Para Alan, o esporte não trouxe apenas medalhas. Foi através dele que o jovem encontrou o amor. Está apaixonado pela, também atleta, Natália Becker, de 22 anos. Os dois se conheceram depois que o corredor trocou de treinador. Foram amigos até a paixão despertar. Juntos desde outubro do ano passado, ele dedica a ela também o fato de ter conseguido se preparar para Tóquio. Isso por conta da pandemia, que comprometeu o treinamento.

"A gente já se conhecia, mas não se falava. No primeiro dia que cheguei para treinar, ela foi muito respeitosa e educada (...). Foi Deus. Além de praticar com esse treinador, comecei a frequentar a mesma academia que ela e fazer fisioterapia com o mesmo fisioterapeuta", enumera ele as coincidências.

"A gente começou a conversar, ela morava perto de mim. Um dia ofereci uma carona, ficamos conversando por mais um mês, só na amizade. Quando vi, a gente começou a ficar. No dia 12 de outubro pedi (a Natália) em namoro. É uma pessoa que está do meu lado, me ajdando e aconselhando. Me ajudou durante os treinos da pandemia... Foi uma das pessoas, senão a pessoa, que me fez chegar até aqui. É bonito demais o nosso amor", declara, apaixonado, o atleta que mora com a namorada e pensa em casamento.

Competindo na prova dos 100 metros na manhã de domingo (horário de Brasília), Alan relembra um dos momentos mais especiais de sua carreira, nas Paralimpíadas de Londres. Na ocasião, bateu o favorito, Oscar Pistorius. Este atleta, porém, está fora do esporte. Isso porque ele foi acusado e condenado pelo assassinato namorada. Pistorius continua preso.

"Foi a maior projeção que ganhei, na disputa em Londres. Anos depois, aconteceu o crime (praticado pelo Oscar Pistorius). E a partir daquele momento, ele ficou preso e nunca mais voltou ao cenário dos esportes".

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