Alcione e Martinho da Vila se unem à Brasil Jazz Sinfônica para show em SP transmitido online

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*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, BRASIL, 19/11/2018 - O musico Martinho da Vila antes da cerimonia de entrega do Trofeu Raca Negra, na Sala Sao Paulo. Coluna Monica Bergamo. (Foto: Greg Salibian/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, BRASIL, 19/11/2018 - O musico Martinho da Vila antes da cerimonia de entrega do Trofeu Raca Negra, na Sala Sao Paulo. Coluna Monica Bergamo. (Foto: Greg Salibian/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Dois dos maiores nomes da história do samba se reúnem neste sábado (13). Alcione e Martinho da Vila se apresentam juntos com a Brasil Jazz Sinfônica na Sala São Paulo, em Campos Elíseos (região central de SP), às 21h. O show faz parte da segunda edição da série "Encontros Históricos", que reúne grandes nomes da música brasileira com a orquestra.

Apesar dos 638 ingressos colocados à disposição para o espetáculo presencial estarem esgotados, a apresentação será transmitida gratuitamente pelo YouTube da Sala São Paulo e, posteriormente, será exibida na TV Cultura no programa Jazz Sinfônica Brasil, transmitido às sextas-feiras, às 0h, e domingos, às 20h --ainda sem data definida.

Sucessos que ficaram conhecidos na voz de Alcione, como "A Loba" e "Você me Vira a Cabeça", farão parte do repertório do show, assim como canções de Martinho da Vila, como "Disritmia", "Ex-Amor" e "Tom Maior", e outros clássicos nacionais, como "Aquarela Brasileira", "Roda Ciranda/Ilha de Maré" e "Doralice".

"Eu estava sentindo falta do palco. É um lugar onde me realizo, exerço meu ofício, me divirto, divirto as pessoas, me emociono, emociono o público e tenho domínio total da situação", afirma Martinho, em entrevista por telefone.

"Eu já cantei muito com orquestras sinfônicas e gosto muito. É incrível porque a gente fica no centro de um som imenso que penetra pelos poros e pelos ouvidos, em todos os sentidos", diz o cantor, de 83 anos.

Alcione celebra o show com o parceiro de longa data e afirma que sempre sonhou em cantar com uma grande orquestra.

"A apresentação se torna ainda mais prazerosa por dividir o palco com um grande amigo, um irmão querido e muito talentoso", afirma a cantora de 73 anos, por email.

Quem acompanhará os dois artistas é a Brasil Jazz Sinfônica, orquestra criada em 1989 e especializada em música brasileira. Sua formação une os grupos instrumentais que compõem uma orquestra sinfônica (cordas, madeiras, metais e percussão) aos que compõem uma banda de jazz (saxofones, baixo, bateria, piano e percussão popular).

"Vai ser um desafio delicioso cantar com orquestra. Sempre alimentei o sonho de gravar com uma grande orquestra", diz Alcione.

ADAPTANDO O SAMBA

O grupo, que já acompanhou nomes como Erasmo Carlos, Ivan Lins, João Donato, Chico César e João Bosco, entre outras estrelas da MPB pelo mesmo projeto, será regido por Tiago Costa, que, inclusive, participou da adaptação de músicas que serão apresentadas.

"Talvez o samba seja o ritmo brasileiro de maior desafio para uma orquestração sinfônica, porque é uma música muito sincopada e flutuante. Parece que a gente perde o chão [risos]. Mas como é com a Jazz Sinfônica, estamos bem animados", afirma Tiago Costa por telefone.

"A gente fez o pedido de trazer o universo do samba para dentro da orquestra para fazer esse diálogo com esses dois artistas espetaculares para que a orquestra não fique só fique de fundo, só acompanhando. Queremos dialogar com esse samba", diz o regente.

O diretor executivo da Orquestra Brasil Jazz Sinfônica, Fábio Luís Guedes Borba, celebrou a presença de Martinho da Vila e de Alcione no palco da Sala São Paulo e destacou a importância de transmitir a apresentação gratuitamente.

"Pegamos um samba tradicionalmente do Rio de Janeiro tocado pelo Martinho, com um samba carioca, mas de origem nordestina, de origem maranhense, que é a Alcione. Nossa expectativa é que a gente mostre a brasilidade da nossa arte e cultura musical", afirma Borba.

"Não queremos restringir [a apresentação] para o público de São Paulo, que pode ir presencial. Queremos popularizar a arte e a cultura também", prossegue Borba, se referindo à transmissão virtual.

No auge de seus 83 anos, Martinho da Vila segue a todo vapor. O sambista com mais de 50 anos de carreira já lançou alguns singles que farão parte do álbum "Mistura Homogênea", que tem previsão para ser lançado no primeiro trimestre de 2022. "A gente não pode se sentir realizado. Quando uma pessoa se sente realizada, pode até morrer [risos]. Eu ainda tenho muita coisa para fazer, não sei exatamente o quê, mas tenho [risos]", brinca o músico carioca.

Durante a pandemia de Covid-19, Martinho afirma que manteve todos os cuidados necessários e, além da música, aproveitou para aflorar seu lado escritor novamente.

Ele lançou dois livros infantojuvenis -"Martinho Conta... Cartola" e "Martinho Conta... Noel" --e diz que terminou um livro de contos que deve ser lançado em breve.

"O Martinho escritor aflorou de novo [risos]. Tinha um livro de contos que ainda não estava completo e trabalhei bastante nele, consegui terminar e vai ser lançado em breve", afirma o cantor e compositor.

RUMO A VEGAS

Logo após a apresentação com Alcione na Sala São Paulo, Martinho da Vila já arruma as malas para ir para Las Vegas.

O cantor receberá o Prêmio à Excelência Musical, uma honraria para músicos pelo valor imensurável de suas obras para a história da música latina, oferecida pela Academia Latina da Gravação, no 22º Grammy Latino, edição de 2021 do prêmio que será realizada no dia 17 de novembro no hotel Four Seasons, na cidade dos Estados Unidos.

Martinho já foi indicado 11 vezes ao Grammy Latino e venceu em três oportunidades, sendo a mais recente em 2016 com o disco "De Bem com a Vida" na categoria de melhor álbum samba/pagode. Ele ainda irá concorrer entre os melhores álbuns de samba/pagode, com o disco "Rio: Só Vendo a Vista".

Apesar da felicidade pela homenagem e pela indicação ao prêmio, o carioca lamentou que terá que falar sobre o governo de Jair Bolsonaro (sem partido).

"O governo do Bolsonaro é uma tristeza. Em Las Vegas, a imprensa vai me perguntar sobre o Bolsonaro. Tenho vergonha de ter um presidente como esse que é mal-educado e grosseiro. É difícil encontrar um bom exemplo que o Bolsonaro dá para o povo brasileiro", afirma Martinho.

Por fim, Martinho celebrou o avanço da vacinação. "Eu peguei Covid-19 e fiquei isolado, mas foi tudo bem. Tive poucos sintomas. Agora já estou completamente vacinado, inclusive com a dose de reforço. Estou bonito [risos]. Pronto para voltar aos palcos. Fico feliz de ver as pessoas se vacinando".

‘ENCONTROS HISTÓRICOS’ COM ALCIONE, MARTINHO DA VILA E BRASIL JAZZ SINFÔNICA

Quando: Sábado (13), às 21h

Onde: Na Sala São Paulo (praça Júlio Prestes, 16, Campos Elíseos, região central da capital)

Preço: Ingressos esgotados

Show online: Transmissão ao vivo e gratuita no YouTube da Sala São Paulo, às 21h

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