'Alckmin é o candidato ao Planalto, inclusive de Doria', diz novo presidente da Alesp

REYNALDO TUROLLO JR. E GABRIELA SÁ PESSOA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O deputado Cauê Macris (PSDB) foi eleito presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo nesta quarta (15), com 88 votos dos 94 possíveis.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Macris defendeu a candidatura ao Planalto do governador Geraldo Alckmin, de quem é aliado fiel. Para ele, quem discute a possibilidade de lançar o prefeito João Doria "não é tucano".

Macris também diz ter certeza de que Alckmin passará incólume pela Lava Jato.

Para a 1ª Secretaria da Mesa Diretora, foi eleito Luiz Fernando (PT) e, para a 2ª Secretaria, Estêvam Galvão (DEM).

A maioria do PT apoiou Macris, mesmo com o petista Carlos Neder na disputa -ele teve apenas dois votos.

Pergunta - Como o sr. avalia o fato de ser visto, tanto por deputados da base como da oposição, como alguém mais próximo do governador do que do Parlamento?

Cauê Macris - Precisa diferenciar atuação político-partidária da atuação como presidente da Assembleia. Como presidente, é um Poder independente que quer caminhar em sintonia com os demais Poderes, desde que seja respeitado. Na vida partidária, sou, sim, defensor do governador.

Pergunta - A Lava Jato bate às portas do Estado. Há pedidos de CPI na Casa, feitos pelo PSOL, tratando de temas correlatos.

Cauê Macris - É direito de minoria a CPI. Sou presidente da Casa, a investigação faz parte, é direito.

Pergunta - Sua intenção é trabalhar para que as CPIs sejam instaladas ou para barrá-las?

Cauê Macris - É obrigação do Legislativo fiscalizar o Executivo, não só através de CPI. Cada deputado tem seus interesses relacionados à sua base, mas o interesse institucional é garantir aos mandatos o direito de atuar.

Pergunta - O sr. não deve tentar barrar as CPIs?

Não, não vou barrar CPI nenhuma. Vão ser instaladas todas que tenham o número de assinaturas [32].

Pergunta - Há informação de que Alckmin está na lista de pedidos de Rodrigo Janot.

Cauê Macris - Conheço o governador, é um cara sério, correto e íntegro. Qualquer citação que possa ter, eu tenho segurança de que não tem envolvimento pessoal do governador.

Pergunta - O sr. escreveu em setembro um artigo na Folha de S.Paulo em que disse que o PT era ladrão e queria fazer parecer que os outros partidos também eram. A Lava Jato indica que as práticas atribuídas ao PT eram comuns a outros partidos. Sua avaliação mudou de setembro para cá?

Cauê Macris - Naquele momento eu estava colocando como uma ação partidária. Hoje, como presidente de todos os deputados, tenho convicção de que, se a pessoa cometeu qualquer ação ilícita, ela tem que pagar. Seja do meu partido, seja do PT.

Estamos vivendo um momento em que está se quebrando um paradigma. O que temos que fazer é ajudar a virar essa página para que as pessoas de bem e de caráter assumam os cargos importantes para conseguir tocar o país.

Pergunta - Tocar o país remete a 2018. Quem do PSDB tem mais chance de chegar lá sem estar desgastado pela Lava Jato?

Cauê Macris - Geraldo Alckmin.

Pergunta - Há discussões no PSDB que começam a aventar o nome de João Doria para o Planalto.

Cauê Macris - O Geraldo é nosso candidato, inclusive do Doria. Estão criando especulações para criar cisões dentro de um grupo forte que saiu fortalecido do processo eleitoral.

Pergunta - Tucanos que discutem isso criam cisões no partido?

Cauê Macris - Quais? Não vi nenhum. Vi pessoas de fora apimentando a discussão. Essa pessoa [que discute a candidatura de Doria] não é tucana.

Pergunta - A maneira Doria de administrar é tucana?

Cauê Macris - Ela acrescenta uma inovação, leva o privado para dentro do público. Era crime falar de privatização. Hoje, as pessoas gostam de ouvir isso.

Pergunta - Vai ter ação equivalente ao Doria vestido de gari?

Cauê Macris - [risos] São perfis diferentes, o do Legislativo não é esse.

Pergunta - Essas ações geram polêmica. Como o sr. vê?

Cauê Macris - Acho interessante. O Executivo precisa saber também como que é a ponta.

Pergunta - O sr. vê o caixa 2 como um mal menor, como disseram FHC e Aécio Neves? Não há certa conveniência porque a Operação Lava Jato está chegando no PSDB?

Cauê Macris - Roubar R$ 1 e R$ 1 milhão tem que pagar do mesmo jeito. Os políticos precisam entender que o trato com o dinheiro público precisa ser como a questão que coloquei aqui do apartamento do funcionário [a Folha de S.Paulo noticiou nesta quarta que Macris paga, com recursos da Assembleia Legislativa, uma casa para seus comissionados].

Se estiver errado, vou pagar. Acho que não está errado.

Pergunta - O PT pediu apuração sobre isso. O Ministério Público tinha disposição de apurar. Que medidas o sr. vai tomar sobre esse apartamento?

Cauê Macris - Suspendi imediatamente o pagamento do aluguel. Se existe dúvida, não faço mais.

Pergunta - O sr promete criar uma Controladoria. Que formato terá?

Cauê Macris - Controladoria precisa ser com concursados, para dar a transparência necessária, sem ingerência.