Alckmin cancela agenda com agro após ameaça de tumulto de bolsonaristas

*ARQUIVO* São Paulo, SP, BRASIL, 21-06-2022: Geraldo Alckmin. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)
*ARQUIVO* São Paulo, SP, BRASIL, 21-06-2022: Geraldo Alckmin. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O comando da campanha petista cancelou a ida do candidato a vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) a Mato Grosso após informações de que apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) e do ruralista Antônio Galvan -candidato ao Senado- se organizavam para tumultuar as agendas dele em Cuiabá.

Alckmin iria para Cuiabá nesta quarta-feira (21) para demonstrar apoio à primeira-dama da capital e candidata ao governo do estado, Marcia Pinheiro (PV), e se aproximar de empresários ligados ao agronegócio.

A viagem estava sendo organizada por dois dos principais fiadores da campanha petista junto ao setor: o deputado federal Neri Geller (PP) -que também tenta uma vaga no Senado- e o senador Carlos Fávaro (PSD). O prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), foi avisado da decisão na véspera.

Procurada, a assessoria de Antônio Galvan não esclareceu se ele articulava algum ato contra Alckmin e afirmou apenas que "a maioria dos produtores rurais e da população mato-grossense" apoia Bolsonaro, e não o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Apoiadores de Bolsonaro e Galvan confirmaram à reportagem, no entanto, que fariam um ato em Cuiabá para "mostrar que Alckmin não era bem-vindo" no estado e tentar causar algum constrangimento.

Reservadamente, integrantes da campanha petista afirmaram que a viagem foi cancelada por precaução. Na segunda (19), a assessora de um candidato a deputado estadual foi agredida por um apoiador de Bolsonaro em Itanhangá (a cerca de 450 km de Cuiabá). Ela estava em um veículo com adesivos de Lula e usava um boné vermelho.

Galvan é presidente licenciado da Aprosoja (Associação Brasileira dos Produtores de Soja) e um dos principais expoentes do Movimento Brasil Verde e Amarelo -grupo que afirma representar cerca de 200 associações e sindicatos rurais do país.

Ele é alvo de investigação do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre atos antidemocráticos e foi proibido pelo ministro Alexandre de Moraes de se aproximar em um raio de 1 km da Praça dos Três Poderes, em Brasília.