Alckmin defende punição de golpistas que 'depredaram, inspiraram e financiaram' atos de vandalismo

*Arquivo* BRASÍLIA, DF, 08.12.2022 - O vice-presidente Geraldo Alckmin. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*Arquivo* BRASÍLIA, DF, 08.12.2022 - O vice-presidente Geraldo Alckmin. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) defendeu nesta terça-feira (10) a punição dos manifestantes golpistas que depredaram e financiaram os atos de vandalismo praticados nas sedes dos Três Poderes, em Brasília, no último domingo (8).

"Não apenas punição dos que depredaram, mas também daqueles que inspiraram, financiaram e estavam por trás desses atos", disse.

Alckmin, que também chefia o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), disse que a resposta do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aos atos protagonizados por bolsonaristas extremistas foi rápida e que a democracia sai fortalecida do episódio.

"Consolidando a democracia, o ambiente econômico vai melhorar e se fortalecer. Isso é transitório, passageiro, agora é trabalho firme em benefício da população e punição de quem faz ato terrorista", afirmou Alckmin.

Questionado por um jornalista sobre sua experiência em lidar com os ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital) no estado de São Paulo, em 2006, quando era governador, Alckmin disse que "o que não pode ter é impunidade". "Uma coisa é discordar, uma coisa é divergir, outra coisa é querer dar golpe. Isso é crime, não pode ser tolerado em nenhuma hipótese", acrescentou.

Para o vice, a instabilidade gerada pelos atos golpistas é provisória, especialmente entre investidores.

"Como nos Estados Unidos, teve a invasão do Capitólio, não mudou a economia americana por causa disso. Economia é competitividade, temos de trabalhar, há muitas oportunidades para o Brasil."

Entre as oportunidades, o ministro destaca a agenda sustentável. "O Brasil vai mudar sua imagem no mundo, de um devastador, de um desmatador da Amazônia para um país onde a questão das mudanças climáticas é central, a transição energética é central, o compromisso com a descarbonização é central e isso vai atrair muito investimento para o Brasil".

As declarações foram dadas após a cerimônia de posse da nova diretoria da Apex-Brasil, a agência brasileira de fomento às exportações, que será comandada pelo ex-governador do Acre, Jorge Viana (PT-AC).

O novo chefe da Apex criticou a política de Jair Bolsonaro (PL) no comércio exterior e disse que vai se reunir com os 27 governadores nas próximas semanas para traçar um plano de promoção de vendas.

"Não adianta começar indo ao exterior. Precisamos arrumar nossa casa, elencar quatro ou cinco produtos por estado", disse após a cerimônia de posse.

Segundo Viana, o problema atual é a falta de crédito para as exportações. A prioridade são os grandes produtores, especialmente do agronegócio --o que explica o baixo crescimento de nossas vendas externas quando comparadas com outros países.

"Tem país vizinho vendendo mais pimenta do reino do que a gente, que produz há 150 anos na Bahia, mais café. E precisamos fazer esses produtos serem mais trabalhados aqui dentro. Vendemos só commodities. Se esses produtos forem trabalhados [industrializados com algum tipo de processamento] já gera mais valor e mais emprego aqui."

Para isso, pretende trabalhar em conjunto com os bancos públicos, principalmente o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

"É um absurdo o Banco da Amazônia não ter sido explorado para estimular as exportações do Norte."

Viana avalia que foi um erro o país ter virado as costas para o Norte e o Nordeste, que só participaram com cerca de US$ 50 bilhões no total de US$ 335 bilhões em exportações no ano passado.

"É óbvio que temos de manter o incentivo ao agronegócio, mas precisamos ampliar nossas vendas, olhar para o Norte e o Nordeste. Vamos incluir a Amazônia, sem medo, porque não vamos fazer o que o governo passado fez, que foi desmatar."

Viana criticou o governo Jair Bolsonaro (PL) por ter feito muito pouco para as exportações que, segundo ele, avançaram somente US$ 80 bilhões ao longo do mandato do ex-presidente.

"A China ampliou 47 vezes suas exportações na pandemia", disse. "Os EUA exportam mais milho do que todo o agronegócio. Em quatro anos, avançamos muito pouco."

Viana disse que pretende mexer na estrutura de exportações para ajudar pequenos e médios que, hoje, enfrentam barreiras na hora de mandar seus produtos para o exterior.

"Além de crédito, também precisa melhorar o sistema alfandegário, facilitar a vida das empresas que querem exportar", disse.