Alckmin diz que conversa com integrantes do governo Bolsonaro 'foi bastante proveitosa' e 'muito objetiva'

O vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, afirmou que a primeira conversa com integrantes do governo de Jair Bolsonaro sobre a transição, na tarde desta quinta-feira, foi "bastante proveitosa". Alckmin será o coordenador do governo de transição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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— Conversa foi bastante proveitosa. Muito objetiva — afirmou ele logo após se encontrar com o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira.

A reunião no Palácio do Planalto durou cerca de meia hora e contou com a participação, da parte de Lula, da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e do ex-ministro Aloizio Mercadante. Ciro Nogueira e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Luis Eduardo Ramos, representaram o governo atual, além de técnicos. Segundo Alckmin, Ramos parabenizou-os pela eleição e se colocou à disposição para ajudar.

— Nos cumprimentou, deu os parabéns, desejou um ótimo trabalho e se colocou à disposição nesse período de transição, porque quem faz a transição é o ministro Ciro Nogueira, mas tem uma parte que ele participa — afirmou o vice-presidente eleito.

Foram destacados para passar informações ao novo governo o chefe de gabinete do atual presidente, Pedro César de Souza, e o subchefe para Assuntos Jurídicos, Renato de Lima França. Os secretário-executivos dos ministérios que ficam no Palácio do Planalto também integram o grupo. Além disso , servidores de carreira também serão destacados para responder informações da equipe do presidente eleito.

O governo de transição deve ser instalado a partir de segunda-feira no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília. Na data, o presidente eleito fará uma série de reuniões com sua equipe. Na sequência, está prevista a divulgação oficial dos nomes que farão parte oficialmente da equipe de transição. Lula poderá designar até 50 pessoas para a função.

— Amanhã a Gleisi e Mercadante vão lá (CCBB) fazer uma visita e deveremos começar a partir de segunda feira da próxima semana — afirmou Alckmin, completando: — A transição será instalada com o objetivo da transparência, objetivo do planejamento e objetivo de continuidade dos serviços prestados à população e que a gente possa nesse período ter todas as informações e poder dar continuidade aos serviços, não interrompê-los e preparar para a posse no dia primeiro.

Após falar com a imprensa, Alckmin foi esperado pelo chefe de gabinete pessoal de Bolsonaro Pedro César de Sousa e subiram pelo elevador. Depois de cerca de dez minutos, os dois desceram juntos, mas não responderam se houve um encontro com o presidente Bolsonaro, que passou a manhã no Alvorada e chegou ao Planalto enquanto Alckmin concedia entrevista. Em seguida, Bolsonaro deixou o Planalto e retornou para a sua residência oficial.

Questionado na saída como era retornar ao Planalto depois de seis anos, Mercadante respondeu:

— A melhor forma de voltar ao Planalto é pela porta da frente, com eleição democrática.

No dia do retorno dos petistas ao Palácio, o quadro do ex-presidente Michel Temer caiu da galeria de presidentes e a gigante bandeira do Brasil pendurada por Bolsonaro na entrada foi retirada.

Manifestações

Questionado sobre os bloqueios nas rodovias federais, o vice-presidente eleito afirmou que o direito de ir e vir é "sagrado" e questionou quem seria "responsabilizado por esse prejuízos". Desde domingo, caminhoneiros têm bloqueado estradas em protesto ao resultado da eleição presidencial.

— O direito de ir e vir é sagrado, não é possível você impedir as pessoas de se locomoverem. É grave. Pode comprometer a saúde das pessoas, abastecimento de hospitais, transplante, vacina, alimentação, combustível. A pergunta é quem vai pagar esses prejuízos, quem vai ser responsabilizado por esses prejuízos? Uma coisa é manifestação, outra coisa é limitar o direito de ir e vir.

Alckmin também foi questionado sobre as manifestações de cunho golpista que aconteceram pelo país nesta quarta-feira. O vice eleito chamou os movimentos de "despropositado" e afirmou que "não merecem nem comentário".

— Isso (manifestação golpista) é despropositado. Tão despropositado que não merece nem comentário

Questionado se Bolsonaro teria alguma responsabilização sobre as manifestações e as paralisações dos caminhoneiros, Alckmin desviou e respondeu:

— Presidente Lula deixou claro no seu discurso de posse da eleição que a tarefa é unir o Brasil, é trabalhar, ter agenda de proposta, melhor a vida da população. E bola para frente. A transição começou.