Alckmin e Tebet minimizam declarações de Lula e entram de bombeiros após dólar disparar e Bolsa cair com força

O vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB) e a senadora Simone Tebet (MDB-MS) tentaram atuar como bombeiros para acalmar o mercado financeiro nesta quinta-feira (dia 10), depois de falas do presidente eleito Lula (PT). A formato discutido pelo governo de transição para Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que abre espaço fiscal no Orçamento também não agradou ao mercado, que reagiu com alta da curva de juros, do dólar e da queda da Bolsa.

Alckmin disse que Lula, no mesmo discurso, falou da questão social e questão fiscal. E lembrou que o petista assumiu o governo em 2003 com o governo tendo uma dívida equivalente 60% do PIB, entregando oito anos depois um endividamento de 40% do PIB.

— Teve superávit primário todos os anos. Se alguém teve responsabilidade fiscal foi o governo Lula. Isso não é incompatível com a questão social. O que precisa a economia crescer, é ter investimento público e privado, recuperar planejamento no Brasil e bons projetos. Essas oscilações de mercado, num dia de hoje, tem inclusive questões externas, além das questões locais — afirmou.

Em sua primeira visita ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, onde funciona a transição de governo, Lula criticou o que chamou de “tal estabilidade fiscal", ressaltando que a questão social deve ser colocada à frente de temas que interessam, em suas palavras, apenas ao mercado financeiro.

O mercado também está preocupado com o tamanho da PEC da Transição, que pode chegar a R$ 175 bilhões. Alckmin disse que o Orçamento do próximo ano tem problemas que precisam ser resolvidos.

— Não está previsto o Bolsa Família. Não há ninguém que seja contra enfrentar a questão da fome e a pobreza. E tem a continuidade de serviços públicos, não pode interromper serviços públicos. Não há nada pior que obra parada. É um orçamento que já estava aqui no Congresso e que todo mundo sabe que não é factível minimamente para cumprir as tarefas de estado — afirmou.

Já Simone Tebet, que atua na equipe de transição, defendeu que o primeiro ministro do futuro governo a ser indicado seja o da Fazenda. Para Tebet, essa seria uma forma de evitar "ruídos" causados por declarações de Lula. Tebet foi candidata a presidente no primeiro turno. Na segunda etapa da disputa, declarou apoio a Lula. Na transição, foi designada para liderar o grupo que vai discutir medidas para a área social.

— Acho que é natural, o mercado tem dúvidas, e consequentemente a cada fala política do presidente eleito Lula, isso acaba criando alguns ruídos. Então, (a escolha deve acontecer) no seu devido tempo. Mas sim, o mais rápido possível dentro do tempo do presidente eleito, eu entendo, sim, que o primeiro nome que deva ser anunciado é o ministro da Fazenda ou da Economia — afirmou a senadora, em entrevista à GloboNews.

Para Tebet, a indicação de um ministro serviria para que ele explicasse declarações de Lula feitas em um "contexto político".

— Para que efetivamente o ministro possa explicar a política econômica do futuro governo. E explicar muitas vezes aquilo que o seu chefe, o presidente da República, disse em um contexto político.