Alcolumbre articula líder do PSD no Senado para o ministério

IGOR GIELOW
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ainda colhendo os louros políticos pela vitória de seu escolhido para a sucessão no comando do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) negocia indicar um nome para o Ministério da Integração Regional. Segundo interlocutores do senador, o favorito é Nelsinho Trad (MS), líder do PSD de Gilberto Kassab na Casa. Se o arranjo vingar, Alcolumbre não iria para o governo Jair Bolsonaro (sem partido), como foi especulado inicialmente, buscando preservar alguma imagem de independência. Em compensação, ocuparia um dos mais poderosos cargos no Senado, o de presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), que serve de filtro para toda proposta a ser analisada pelos parlamentares. Na mão inversa do ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), Alcolumbre viu crescer seu cacife nos últimos meses. O senador fez seu sucessor, Rodrigo Pachecho (DEM-MG), enquanto Maia viu seu candidato derrotado por Arthur Lira (PP-AL). Pacheco não deve ter um alinhamento automático ao Planalto, segundo aliados, mas foi eleito também com o apoio de Bolsonaro sob o patrocínio de Alcolumbre e de forças como o PSD que pode agora levar mais um ministério -já ocupa as Comunicações. A Integração hoje está com Rogério Marinho, que até junho do ano passado era filiado ao PSDB, mas que aproximou-se muito de Bolsonaro e ganhou espaço nas decisões econômicas do governo. Aliados do presidente afirmam que, se for rifado da pasta, poderá haver outro lugar para Marinho -ele foi o padrinho do investimento de Bolsonaro em viagens e eventos no Nordeste no momento em que o auxílio emergencial da pandemia começou a fluir, que ajudou a melhorar a popularidade do presidente na região. Tal momento passou, e segundo o mais recente levantamento do Datafolha Bolsonaro voltou a ter uma queda em sua imagem na região, historicamente mais dependente de assistência federal. Mesmo sem o auxílio, ele mantém sua agenda de visitas nordestinas. Marinho se notabilizou pelo antagonismo público com Paulo Guedes (Economia), que o classificou como um fura-teto de gastos. Os ânimos ficaram bastante acirrados ao longo de 2020, mas aparentemente uma trégua segue valendo entre ambos. Na Câmara, enquanto o debate segue acalorado acerca da definição sobre a Mesa da Casa, deputados de partidos do centrão também discutem os próximos passos do grupo no governo. Além da pasta da Cidadania, que já está prometida a eles com a saída de Onyx Lorenzoni (DEM-RS) para a Secretaria-Geral da Presidência, voltaram a crescer os rumores de que os vitoriosos que chegaram ao comando da Câmara com a eleição de Lira estão de olho na Educação e na Saúde. A pasta do ministro Eduardo Pazuello é a mais cobiçada, não só pelos recursos, mas também pela possibilidade de melhoria de sua imagem dado o desastre até aqui na condução do combate à pandemia do novo coronavírus. Não é segredo que o ex-ministro Ricardo Barros (PP-PR), que a comandou no governo de Michel Temer (MDB), gostaria de voltar para lá. Ele é líder do governo Bolsonaro na Câmara. Na Educação, ocupada pelo politicamente opaco Milton Ribeiro, é o grupo ligado ao presidente do DEM, ACM Neto, que está buscando viabilizar a tomada do cargo. Entre deputados, contudo, essas duas operações são vistas como para um segundo momento, porque o governo não estaria disposto a gastar todas as fichas que tem logo na largada de seu casamento parlamentar com o centrão.