Alcolumbre dá aval a mudar regra e liberar sua reeleição à presidência do Senado

DANIEL CARVALHO E BRUNO BOGHOSSIAN
*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, 12.02.2019: O senador Davi Alcolumbre (DEM-AP). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), disse nesta sexta-feira (20) que não está trabalhando para a edição de uma PEC (proposta de emenda à Constituição) para permitir que dispute a reeleição no comando da Casa, mas que, se seus pares desejarem isso, ele está "à disposição".

"Se alguém quiser trabalhar, a gente não pode atrapalhar as pessoas. Se Deus continuar me dando saúde e eu continuar tendo uma postura compatível com o que a maioria compreende que é o certo, se alguém levantar esta possibilidade, vou estar à disposição", disse Alcolumbre em um café da manhã com jornalistas na residência oficial da presidência do Senado.

Hoje, tanto o presidente do Senado como o da Câmara não podem disputar reeleição na mesma legislatura. A discussão de uma PEC para garantir esta possibilidade começou a ser feita sob o argumento de que Alcolumbre e Rodrigo Maia (DEM-RJ), seu equivalente na Câmara, mostraram ser capazes de conter arroubos do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido).

Maia, que já está em seu terceiro mandato consecutivo como presidente da Câmara, diz não estar tratando do assunto.

Rodrigo Maia chegou à presidência da Câmara em 2016, num mandato-tampão depois que Eduardo Cunha (MDB-RJ) deixou o posto. Depois disso, na mesma legislatura, conseguiu parecer técnico favorável a que participasse de nova disputa, em 2017. No início deste ano, numa nova legislatura, disputou novamente e venceu.

Já Alcolumbre, que até o ano passado era um senador do chamado baixo clero, foi eleito presidente pela primeira vez no início de 2019 como representante de um grupo de senadores que se uniu para enfrentar o senador Renan Calheiros (MDB-AL), apontado como representante do que chamam velha política.

Com o passar dos meses, os personagens mudaram de lugar. Os então aliados de Alcolumbre montaram um grupo chamado "Muda, Senado! Muda, Brasil!", que tem como principais bandeiras a defesa da Operação Lava Jato e críticas ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Este grupo, ao longo deste ano, tentou repetidas vezes criar uma comissão parlamentar de inquérito para investigar integrantes do Supremo, a CPI da Lava Toga. Também apresentou e apoiou pedidos de impeachment de ministros do STF.

Davi barrou todas as iniciativas e, nesta sexta, afirmou que fará o mesmo no ano que vem.

"Vou continuar com o mesmo comportamento deste ano. Não vai ter [CPI da Lava Toga nem impeachment de ministros]", afirmou.

Se os senadores do "Muda Senado" se afastaram de Alcolumbre, por outro lado, Renan Calheiros e o MDB aproximaram-se dele.

"Não estou [próximo de] Renan", disse Alcolumbre. "Quem está próximo do MDB é o [presidente Jair] Bolsonaro, não sou eu", afirmou, salientando que os líderes do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (PE), e no Congresso, Eduardo Gomes (TO), são do MDB.

Ao comentar a relação do Congresso com o Palácio do Planalto, Davi Alcolumbre minimizou as turbulências provocadas por declarações e decisões do chefe do Executivo.

"O presidente Boslonaro tem o estilo dele, a gente  já conhece. O que a gente tem que fazer é ter consciência  da nossa obrigação".