Alcolumbre diz que assassinato de João Alberto escancara racismo estrutural no Brasil

Julia Lindner
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Maryanna Oliveira / Câmara dos Deputados
Maryanna Oliveira / Câmara dos Deputados

BRASÍLIA - O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), afirmou nesta sexta-feira (20) que o assassinato de João Alberto Silveira Freitas "escancara a necessidade de lutar contra o terrível racismo estrutural que corrói nossa sociedade". Homem negro de 40 anos, João Alberto foi espancado até a morte por dois seguranças na saída de um supermercado da rede Carrefour, em Porto Alegre, na noite de quinta-feira (19).

"No Dia da Consciência Negra, o assassinato brutal de João Alberto Freitas, espancado até a morte por seguranças de um supermercado, em Porto Alegre, estarrece e escancara a necessidade de lutar contra o terrível racismo estrutural que corrói nossa sociedade", escreveu Alcolumbre, pelo Twitter.

Outros parlamentares da Casa também se manifestaram. A senadora Simone Tebet (MDB-MS) lamentou o episódio e destacou que João Alberto foi vítima de racismo.

"Gostaria de celebrar a herança cultural e o avanço das ações afirmativas em prol da comunidade negra. No entanto, o PESAR é mais forte. O João Alberto é mais uma vítima do RACISMO. Minha solidariedade à família, e a todas que tb choram a perda provocada por esse mesmo gatilho", afirmou.

O senador Fabiano Contarato (Rede-ES) apresentou uma denúncia ao Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) contra o Carrefour, em razão do assassinato de João Alberto. O senador também apresentou, no Senado, voto de repúdio contra a rede de supermercado.

"Não é por acaso que, no Dia da Consciência Negra, o Brasil se choque com o assassinato brutal de uma pessoa negra, realidade cruel que reflete uma sociedade racista e um Estado que, omisso, estimula a barbárie. Nossa solidariedade à família da vítima. E condenação efetiva para os criminosos”, afirma Contarato na nota.

As falas dos congressistas destoam completamente da postura adotada pelo vice-presidente da República, Hamilton Mourão, que afirmou não haver racismo no Brasil.

— Não. Para mim, no Brasil não existe racismo. Isso é uma coisa que querem importar aqui para o Brasil, não existe aqui - disse Mourão ao ser questionado se via racismo no caso.