Alcolumbre diz que não vai tolerar ataque às instituições e repudia agressões à imprensa

Amanda Almeida e Isabella Macedo
Manifestantes participaram de ato a favor do presidente Jair Bolsoinaro em Brasília: houve registros de agressões a jornalistas

BRASÍLIA - Depois de três dias sem se manifestar sobre a participação do presidente Jair Bolsonaro em ato antidemocrático no domingo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), disse, nesta quarta-feira, que não vai "tolerar" ataque às instituições. Ele também repudiou as agressões contra jornalistas ocorridas nos últimos dias.

- As coisas estão muito difíceis aqui. Vocês têm acompanhado à distância o enfrentamento a todo o momento. A agressão à imprensa, que é lamentável. É lamentável. A agressão à imprensa também é a agressão à liberdade de expressão. Tem a minha solidariedade, o meu apoio e o meu repúdio. A agressão às instituições, não tolerarei. Sempre me mantive com respeito. A agressão às instituições é agressão à democracia - disse.

O repúdio foi feito na abertura da sessão do Senado desta quarta-feira, em meio a um longo desabafo sobre as pressões que ele vem sofrendo por relatar o projeto de socorro a estados e municípios na pandemia do coronavírus. A proposta prevê congelamento de salário de servidores por 18 meses. Nos últimos dias, Alcolumbre tenta intermediar os pedidos da equipe econômica do governo e as pressões de parlamentares e de categorias.

Em tensão com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), nos últimos meses, o governo tem centralizado em Alcolumbre a negociação sobre projetos de seu interesse. Foi o caso do socorro a estados e municípios. Depois de a Câmara aprovar uma proposta classificada como de alto impacto fiscal pela equipe econômica, Paulo Guedes (Economia) pediu a Alcolumbre que mudasse o texto.

Nesse papel, Alcolumbre tem evitado se posicionar publicamente sobre as últimas polêmicas do governo Bolsonaro. No episódio de demissão do ex-ministro Sergio Moro (Justiça), por exemplo, ele não se manifestou sobre as acusações do ex-ministro ao governo. No dia seguinte à participação de Bolsonaro em protesto com a defesa de uma intervenção militar em 19 de abril, ele desmarcou a sessão do Senado para evitar ampliar a crise.

O silêncio de Alcolumbre tem incomodado parte dos colegas, que vinham cobrando uma reação dele. A pressão se ampliou depois de mais uma participação de Bolsonaro em ato contra o Supremo e o Congresso. No último domingo, o presidente saudou os manifestantes e disse que o povo e as Forças Armadas estão ao seu lado.

No ato, jornalistas foram agredidos com chutes e murros. Em mais um ataque aos profissionais, ontem, Bolsonaro mandou repórteres "calarem a boca" em resposta a tentativas deles de fazerem perguntas na saída do Palácio do Alvorada.

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