Alcolumbre pede união e superação de conflitos para superar coronavírus

Isabella Macedo
Presidente do Senado, Davi Alcolumbre

O presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), divulgou uma nota no início da noite deste domingo onde faz um apelo pela união entre Poderes e superação de conflitos no enfrentamento da crise do novo coronavírus. O texto também é assinado pelo primeiro vice-presidente do Senado, Antônio Anastasia (PSD-MG).

“Devemos superar conflitos e discussões inoportunas. Acusações e mal-entendidos tem ocorrido com frequência nos últimos dias entre autoridades e as quais não nos levam a lugar nenhum, especificamente quanto ao controle da pandemia”, diz a nota.

Durante o fim de semana, o presidente Jair Bolsonaro criticou medidas adotadas por governadores para combater a pandemia do Covid-19 no país e editou um decreto e uma medida provisória que exige que qualquer restrição excepcional temporária de locomoção interestadual e intermunicipal tenha uma fundamentação técnica da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

A medida de Bolsonaro vai na contramão de medidas adotadas em âmbito estadual. Na quinta, o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), decretou que a partir de sábado estariam suspensas todas as viagens aéreas, terrestres e aquaviárias vindas de locais com circulação confirmada do Covid-19 ou que decretaram situação de emergência. Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo, Bahia e Distrito Federal estão inclusos na medida.

Além do clima acirrado entre o governo federal e as administrações estaduais, Bolsonaro, Witzel e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) têm trocado acusações públicas nos últimos dias. Witzel disse que “continuará sem apoio nenhum do governo federal” e Doria rebateu declaração de Bolsonaro no Twitter, após ser chamado de “lunático” pelo chefe do Executivo federal.

“Bolsonaro chama coronavírus de gripezinha e eu que sou lunático? Lidere seu País, presidente”, escreveu o governador paulista.

Quem também subiu o tom foi o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB). O paraense também determinou suspensão do transporte coletivo interestadual de passageiros por via fluvial, marítimo e terrestre.

— Não vou pedir licença ao presidente da República e a quem quer que seja para defender os interesses do Pará - declarou Hélder.

A nota de Alcolumbre também diz que o momento não é de protagonismo político ou ideológico, e sim de responsabilidade e equilíbrio.

“Não há sentido e nem espaço para protagonismo político ou ideológico; de se procurar culpados ou de atacar instituições. É hora de agir. Com urgência, responsabilidade, equilíbrio e competência. O Senado é a Casa da federação. Temos a obrigação constitucional de representar os estados e velar pela harmonia federativa. Assim, o Senado Federal insta e apoia os governos federal, estaduais e municipais a buscarem pronta unidade de ação, de forma integrada e compartilhada, sem arroubos ou conflitos”, escrevem Alcolumbre e Anastasia.