Aldo Rebelo diz que linguagem neutra é inaceitável e critica 'agenda identitária' em evento com militares

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*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 06.02.2020 - Político e jornalista Aldo Rebelo durante o lançamento do livro Tormenta - O Governo Bolsonaro: Crises, intrigas e segredos, na Livraria Martins Fontes. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 06.02.2020 - Político e jornalista Aldo Rebelo durante o lançamento do livro Tormenta - O Governo Bolsonaro: Crises, intrigas e segredos, na Livraria Martins Fontes. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Ex-ministro da Defesa (2015-2016), Aldo Rebelo (sem partido) participou de seminário organizado pelo instituto do ex-comandante do Exército Eduardo Villas Bôas na sexta-feira (19)

O general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, também falou em debate mediado pelo jornalista Alexandre Garcia.

Rebelo disse no encontro que o uso de linguagem neutra é inaceitável, um "atentado à sociedade nacional", e que se trata da tentativa de criar outra língua, inventar palavras para "impor à sociedade uma outra forma de expressão da cultura".

"É algo importado. Não é linguagem neutra, o que estão querendo impor é outra língua", disse. "O que estão querendo fazer não é o uso das palavras existentes. É a criação de uma outra língua, de um outro idioma, porque estão inventando palavras que não existem na língua portuguesa. Não é o problema do gênero, é a tradição, a cultura", afirmou o ex-ministro dos governos Lula e Dilma Rousseff.

"Aqui no Brasil, essa agenda tomou conta do mercado, pelas corporações que estão nisso, da mídia, de certa forma o Legislativo vai entrando nisso e o Judiciário nem se fala", disse Rabelo. Ele criticou o Supremo Tribunal Federal e afirmou ter a impressão de que ele age como "uma corte dos costumes, dos comportamento".

O ministro Edson Fachin, do STF, suspendeu na quarta-feira (17) a eficácia de uma lei de Rondônia que proibia o uso de linguagem neutra nas escolas públicas e privadas do estado.

Ex-PCdoB, PSB e Solidariedade, Rebelo disse que o país mergulhou em um processo de desorientação quando a agenda do crescimento perdeu sentido diante da "agenda identitária e da guerra cultural".

"Em 2011, 12, 13, 14, o Brasil mergulhou naquele movimento 'Não Vai Ter Copa', de sabotagem contra o Brasil, com setores desorientados da política, de tudo quanto é tendência. Nas ruas, um movimento pesado, difícil, e o país mergulha em um certo processo de desorientação, a agenda do desenvolvimento e do crescimento perde um pouco sentido em função de outras agendas: a agenda identitária, a agenda da guerra cultural, a agenda da fragmentação", disse Rebelo, que também já foi ministro dos Esportes e da Ciência.

Ele ainda afirmou que o Brasil é uma nação "essencialmente mestiça" e estão tentando transformá-lo em um país "de pretos e brancos".

"Essa é a nossa marca, a miscigenação. Agora querem transformar em um país de pretos e brancos. Acho uma coisa criminosa, inaceitável, imposta de fora para dentro, financiada de fora. Porque se o Brasil chegar à conclusão de que somos um país dividido entre africanos e europeus, nós vamos ter que reconhecer que passamos 500 anos errados, equivocados. E que tudo aquilo que o Gilberto Freyre e o Darcy Ribeiro falaram do povo brasileiro, do mestiço que é bom, estava errado. É isso que querem nos impor", argumentou Rabelo.

Segundo ele, o maior risco que o Brasil enfrenta hoje, mais do que o econômico, é o risco de desintegração da sua identidade, de sua memória e de sua "mestiçagem".

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