Alegações sobre Rogério Galloro, ex-diretor-geral da PF, que circulam na internet são enganosas

Publicações compartilhadas dezenas de vezes nas redes sociais em maio de 2022 difundem diversas alegações sobre o ex-chefe da Polícia Federal Rogério Galloro. Entre elas, a de que ele não investigou uma invasão aos sistemas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2018 e que foi ele o delegado responsável pela investigação do caso Adélio Bispo, autor da facada no presidente Jair Bolsonaro. No entanto, as alegações são enganosas.

“Esse é Rogério Galloro, ex Diretor Geral da Polícia Federal em 2018. (...) Galloro hoje é chefe de gabinete do Ministro Fux. (...) Galloro, para quem não se lembra, foi o Delegado do caso Adélio”, assinalam as publicações que começaram a circular em agosto de 2021 (1, 2) e voltaram em maio de 2022 no Facebook (1, 2) e Instagram.

Captura de tela feita em 31 de maio de 2022 de uma publicação no Facebook ( . / )

Galloro assumiu como diretor-geral da Polícia Federal em março de 2018, quando foi nomeado pelo então ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann. Ele ficou no cargo até Jair Bolsonaro assumir a presidência da República em 1º de janeiro de 2019, sendo substituído por Maurício Valeixo.

Em 2018, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sofreu uma tentativa de invasão aos seus sistemas por hackers, como indicado no conteúdo viral. Ao contrário do alegado na publicação, no entanto, o caso é alvo de uma investigação, que está sob sigilo.

Em nota à imprensa emitida em agosto de 2021, o Tribunal especificou que “o próprio TSE encaminhou à Polícia Federal as informações necessárias à apuração dos fatos e prestou as informações disponíveis. A investigação corre de forma sigilosa e nunca se comunicou ao TSE qualquer elemento indicativo de fraude”.

Inclusive, o inquérito do caso foi divulgado pelo presidente Jair Bolsonaro em suas redes sociais e o TSE o indiciou com uma notícia-crime no Supremo Tribunal Federal (STF) por ele ter vazado uma investigação sigilosa.

O documento que Bolsonaro divulgou não está mais disponível por se tratar de uma investigação sob sigilo.

O conteúdo viralizado também alega que Rogério Galloro é “chefe de gabinete” do Ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux.

Após deixar a Polícia Federal, Galloro foi nomeado pela presidente do TSE, Ministra Rosa Weber, para ser assessor III, nível CJ-3, do gabinete da presidência a partir de 2 de janeiro de 2019. Com a saída de Weber da presidência do TSE, Galloro foi nomeado pelo então presidente do STF, ministro Luiz Fux, como assessor de ministro, nível CJ-3 em maio de 2020. Em setembro do mesmo ano, Galloro passou a exercer o cargo de assessor especial, nível CJ-3, do gabinete da presidência.

No organograma da presidência do STF, Patrícia Andrade Neves Pertence aparece no cargo de “chefe de gabinete”. Em entrevista realizada em 26 de maio de 2022, Galloro foi apresentado como assessor especial da presidência do STF.

O conteúdo também afirma que o ex-secretário de Tecnologia da Informação do TSE Giuseppe Dutra Janino é assessor do ministro Luís Roberto Barroso, que foi presidente do TSE entre maio de 2020 e fevereiro de 2022. Efetivamente, Janino atuou como assessor especial da Presidência para, segundo nota divulgada pelo Tribunal em 12 de julho de 2021, “auxiliar no processo de transição da chefia da STI”, de maio de 2021 até a sua saída em julho deste ano.

Delegado do caso Adélio?

Em 6 de setembro de 2018 o então candidato à Presidência Jair Bolsonaro sofreu um atentado a faca em Juiz de Fora, Minas Gerais. O autor do crime, identificado como Adélio Bispo de Oliveira, foi preso no mesmo dia e submetido a dois inquéritos policiais.

Galloro, no entanto, não foi o delegado responsável por esse caso, como alegado nas postagens viralizadas.

Consultado pelo Checamos sobre o caso de Adélio Bispo, o Tribunal Regional Federal da 1ª região forneceu os números dos inquéritos relacionados ao caso. Ao final dos relatórios dos inquéritos 0475/2018 e 503/2018, divulgados pelos veículos O Antagonista e o O Estado de São Paulo, quem assina como delegado responsável pelo caso é Rodrigo Morais Fernandes e não Rogério Galloro.

Em janeiro de 2021, a Polícia Federal designou o delegado Martin Bottaro Purper para assumir o caso Adélio logo que Rodrigo Morais Fernandes fosse transferido para trabalhar nos Estados Unidos.

Procurada pelo AFP Checamos, a assessoria de imprensa da Polícia Federal não quis comentar as alegações sobre Galloro ter liderado o inquérito sobre Adélio Bispo.

O AFP Checamos já verificou outras publicações (1, 2, 3) que envolvem Adélio Bispo e o atentado contra Jair Bolsonaro.

Esse conteúdo também foi verificado por Estadão Verifica e Agência Lupa.

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