Alemã, Sophie Charlotte lembra o passado com 'Passaporte para liberdade'; veja coincidências entre ela e Aracy de Carvalho

·4 min de leitura

Um reencontro com o passado. Assim foi para Sophie Charlotte a experiência de dar vida a Aracy de Carvalho em “Passaporte para liberdade”, nova minissérie da Globo que estreia hoje, depois de “Um lugar ao sol”. Em oito capítulos, a produção mostra a história da mulher que ajudou diversos judeus a se salvarem do nazismo na Alemanha, viabilizando a vinda deles para o Brasil. A trama tem como cenário a cidade alemã de Hamburgo, onde a atriz nasceu e viveu até os 8 anos de idade. Ela conta que, antes de mergulhar na preparação para esse trabalho, fez uma viagem até o lugar e revisitou algumas de suas memórias.

— Foi a primeira vez que eu voltei sozinha para a minha cidade, tenho uma ligação forte com esse lugar. Esse encontro cultural entre Brasil e Alemanha faz parte de mim. A paisagem, o clima, a comida, o jeito da cidade... Me reconectar foi muito especial. Dá uma sensação de ciclo se fechando, de que nada é por acaso — conta Sophie, de 32 anos, que não poupou esforços para encarar sua primeira personagem não fictícia: — Quando estive em Hamburgo, fiz uma pesquisa profunda nos museus, os caminhos que Aracy percorria... Tudo que tinha, tentei absorver.

Além da cidade, as coincidências entre a homenageada da minissérie e a atriz vão além. Ambas têm mães alemãs (Aracy, no entanto, nasceu no Paraná) e um filho: na produção, quando a personagem chega à Alemanha, o herdeiro dela tem 5 anos, assim como Otto, fruto da união de Sophie com Daniel de Oliveira. Quando soube que a história seria produzida, a atriz correu até o diretor artístico da trama, Jayme Monjardim, e disse: “Eu sou a Aracy, eu nasci em Hamburgo”.

— Muitos acasos me encaminharam para essa história. Quando fui bater na porta do Jayme, a série era em português e, no meio do processo, ela se transformou em uma produção em língua inglesa. Tive ainda essa cara de pau de falar que eu dava conta — confidencia Sophie.

O idioma é um dos diferenciais da nova produção, feita em parceria com a Sony Pictures Television. Sophie, que já dominava o inglês, diz que o processo não foi tão simples assim:

— Uma coisa é falar a língua, outra é atuar no idioma. Para mim, o mais difícil foi memorizar as falas, tive que reinventar pontes de significado e memória. Além disso, outro desafio foi que estávamos no verão de Buenos Aires (onde a minissérie foi gravada) e o figurino tinha quatro camadas, com sobretudo de lã e luvas, era uma loucura!

Um elenco composto não apenas por brasileiros deixava a experiência ainda mais desafiadora. Havia atores de Israel, Estados Unidos, Polônia, Itália e Alemanha, como Peter Ketnath, com quem Sophie arriscava o alemão no set.

Apesar das diferenças linguísticas, a sintonia entre a equipe esteve presente, principalmente entre os atores protagonistas.

— Sophie é interessante. Ao mesmo tempo em que é chique, inteligente, fala “30” idiomas, é de uma “bagaceirice”... — brinca Rodrigo Lombardi, que interpreta o escritor brasileiro João Guimarães Rosa, marido de Aracy.

A parceira de cena devolve:

— Rodrigo é um gaiato, tá? Eu não sabia disso antes de conhecê-lo. Nossa parceria foi uma das melhores da minha vida.

A atriz classifica como uma honra ter vivido Aracy na trama, algo que fez nascer nela um novo lema de vida: a coragem.

— Essa jornada foi transformadora, me despertou para a importância de agir com o coração — afirma.

Saiba curiosidades sobre a minissérie:

Gravações em fases

“Foram três anos envolvidos neste trabalho. Começamos na Argentina, depois viemos ao Brasil, paramos um ano e só então voltamos”, conta Jayme Monjardim.

Aracy aprovaria?

“Essa mulher, até então, era conhecida como a viúva de Guimarães Rosa. Agora, ela passa a ter voz. Aracy era discreta, talvez nem gostaria que isso fosse contado, mas foi o que aconteceu”, diz Mario Teixeira, autor da obra.

História escondida

“Durante um ano, um escritório de advocacia me oferecia um material. Quando decidi ir até lá, conheci o filho da Aracy, o neto e a bisneta. Fiquei profundamente emocionado e, na hora, sugeri de produzirmos”, narra Jayme.

Emoção de Lombardi

“Tenho muito orgulho dessa equipe. Como 90% dos meus trabalhos, eu não era a primeira opção. Mas, como diz o Jayme, as histórias escolhem seus contadores!”, emociona-se Rodrigo Lombardi.

Figuração fake

“Nós tínhamos um número limitado de figurantes, tivemos que fazer mágica. Era até engraçado, a gente não imaginava que faria momentos da história com poucas pessoas”, diz Jayme.

Ficção real

“Como minha personagem é fictícia, criamos várias coisas. Mas, como ela, existiram várias mulheres que lutaram por seus sonhos durante a Segunda Guerra”, diz Gaby Petry, que vive uma cantora de cabaré judia que precisa se esconder para continuar fazendo o que ama.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos