Alemães fazem protesto contra partido de extrema-direita em Colônia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O partido anti-imigração AfD (Alternativa para a Alemanha, na sigla em alemão) começou neste sábado (22) um congresso de dois dias, marcado por lutas internas a cinco meses das eleições legislativas e por protestos e incidentes com a polícia.

Dois policiais ficaram levemente feridos em confrontos com manifestante que, entre cartazes e gritos de protesto, tentavam impedir que os 600 delegados do AfD entrassem em um hotel de Colônia, no oeste do país, onde o Congresso é realizado.

Havia expectativa de que o protesto reunisse até 50 mil pessoas. Assim, foram mobilizados 4.000 policiais para o local do evento. Ainda não foram divulgadas estimativas de quantas pessoas foram às ruas. No congresso do ano passado aconteceram distúrbios, atribuídos à extrema-esquerda.

O partido se encontra em um momento de profunda divisão: de um lado estão os "realistas", que não desejam que o AfD seja assimilado pela extrema-direita, e do outro os defendem uma "oposição fundamental" ao sistema.

A disputa interna é acompanhada por uma queda de popularidade do partido, liberal no campo econômico e que se apresenta como anti-islã, eurocético e defensor dos valores familiares tradicionais.

Uma das líderes do AfD e representante da corrente "realista", Frauke Petry, 41 anos, atacou na quarta-feira os adversários em um vídeo.

"A imagem do AfD foi marcada pelas provocações extremas de alguns representantes", afirma Petry, grávida pela quinta vez, no vídeo, antes de declarar que "as tensões internas e os deslizes racistas criaram uma erosão drástica do potencial eleitoral" do partido.

Sem maioria no partido, ela propõe em um documento de 78 páginas uma estratégia de "Realpolitik" para levar o AfD ao poder em 2021.

Para demonstrar que esta não é uma ambição pessoal, Petry abriu mão de ser o primeiro nome da lista para as eleições legislativas de 24 de setembro.

Agora resta saber a reação do grupo dos 'intransigentes' do partido, entre eles Alexander Gauland, 76 anos, que tem muito apoio no leste da Alemanha, o grande reduto eleitoral do AfD.

Até o momento, Gauland conseguiu resistir aos ataques e impediu a expulsão de dirigentes do partido que fizeram declarações polêmicas sobre o nazismo.

O jornal "Süddeutsche Zeitung" citou um possível confronto ou até mesmo uma cisão do AfD durante o congresso.

O AfD registrou um avanço nas pesquisas em 2015 e 2016, quando a chanceler Angela Merkel abriu as fronteiras a mais de milhão de solicitantes de asilo.

Mas nos últimos meses registrou uma queda nas intenções de voto para 8-11%, o que continua sendo um nível histórico para um partido deste tipo na Alemanha do pós-guerra.

Um dos sonhos do partido é virar a terceira força política do país, atrás da CDU de Merkel e do social-democrata SPD.