Além de Roma: Relembre outras ocasiões em que Bolsonaro atacou jornalistas

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  • Jair Bolsonaro
    38.º presidente do Brasil
  • Flávio Bolsonaro
    Político brasileiro, Senador da República pelo Estado do Rio de Janeiro
Brazil's president Jair Bolsonaro speaks to journalists at the Presidential Residence Alvorada Palace in Brasilia, Brazil, on Friday, May 22, 2020. A video of a controversial meeting between Bolsonaro and members of his cabinet became public on this Friday, causing a political crisis amid the coronavirus pandemic in Brazil. (Photo by Andre Borges/NurPhoto via Getty Images)
Desde o início do mandato, presidente Jair Bolsonaro já ofendeu jornalistas em diversas ocasiões (Foto: Andre Borges/NurPhoto via Getty Images)
  • Presidente Jair Bolsonaro e equipe agrediram jornalistas em Roma, na Itália

  • Caso foi repudiado por veículos de comunicação e também associações de jornalistas

  • Jair Bolsonaro já ofendeu jornalistas em diversas ocasiões ao longo do mandato

O domingo (31) foi marcado pelas denúncias de agressões do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seguranças dele contra jornalistas. Os casos aconteceram em Roma, onde o presidente estava para participar da cúpula do G20.

Os ataques foram motivo de diversas notas de repúdio, tanto dos veículos de comunicação para os quais os jornalistas trabalham quanto de organizações de jornalistas. A Associação Brasileira de Jornalistas Investigativos (Abraji), em nota, ressaltou que repudia “mais esse ataque à imprensa envolvendo a maior autoridade do país”, lembrando que as agressões contra os jornalistas no último domingo não se tratam de um caso isolado.

O correspondente da Globo Leonardo Monteiro afirmou ter levado um soco de um segurança, depois de perguntar porque o presidente da República não esteve em alguns eventos do G20. Já Jamil Chade, do Uol, teve o celular arrancado da mão por um segurança. A jornalista da Folha, Ana Estela de Sousa Pinto, foi empurrada por seguranças.

“Atacar o mensageiro é uma prática recorrente do governo Bolsonaro que, assim como qualquer outra administração, está sujeito ao escrutínio público. É dever da imprensa informar à sociedade atos do poder público, incluindo viagens do presidente no exercício do mandato”, disse a Abraji em nota.

Relembre outros casos em que Jair Bolsonaro agrediu e incentivou a agressão de jornalistas:

“Cara de homossexual terrível”

Em dezembro de 2019, o presidente Jair Bolsonaro foi questionado por um repórter sobre as investigações contra o filho 01, Flávio Bolsonaro, quando era deputado estadual. Sem responder o que foi perguntado, o presidente da República disse que o repórter tinha “cara de homossexual”.

“Você tem uma cara de homossexual terrível. Nem por isso eu te acuso de ser homossexual. Se bem que não é crime ser homossexual”, respondeu.

“Queria dar o furo”

Em fevereiro de 2020, o presidente Jair Bolsonaro ofendeu a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S. Paulo. Ela foi a responsável pela reportagem que revelou que, na campanha de 2018, Bolsonaro usou disparo de mensagens em massa para disseminar notificas falsas.

Ao comentar o depoimento de um ex-funcionário da Yacows, uma agência de disparos de mensagens em massa por WhatsApp, que depôs na CPI da Fake News, Bolsonaro fez ofensas de cunho sexual contra a repórter.

“Ela queria um furo. Ela queria dar o furo a qualquer preço contra mim”, disse Bolsonaro na ocasião.

O presidente da República foi processado e condenado a pagar uma indenização para a jornalista.

“Nasça de novo”

Durante uma visita à Sorocaba, no interior de São Paulo, em junho de 2021, Jair Bolsonaro foi questionado sobre a compra da vacina Covaxin, investigada pela CPI da Covid. O presidente se descontrolou e gritou com a jornalista Victoria Abel, da rádio CBN, e disse que a repórter deveria “nascer de novo”.

"Onde tem vacina [em fevereiro]? Responda! Onde é que tem vacina na prateleira para ser vendida? Para de fazer pergunta idiota, pelo amor de Deus, nasça de novo você", disse Bolsonaro. "Ridículo, tá empregada onde? Vamos fazer pergunta inteligente, pessoal."

Brazils President Jair Bolsonaro greets his supporters and speaks to journalists amidst the coronavirus (COVID - 19) pandemic at the Presidential Residence, Alvorada Palace, in Brasilia, Brazil, on March, 31, 2020. Bolsonaro recently defended the nation's return to normality and the end of social distancing and quarantine. (Photo by Andre Borges/NurPhoto via Getty Images)
Jornalistas deixaram de fazer a cobertura em frente ao Palácio da Alvorada em decorrência da falta de segurança (Foto: Andre Borges/NurPhoto via Getty Images)

“Não pode contratar qualquer uma”

Em uma viagem aos Estados Unidos, em maio de 2019, Jair Bolsonaro comentava que o Brasil não tinha nenhuma universidade listada entre as 250 melhores instituições de ensino do mundo. A correspondente da Folha nos Estados Unidos, Marina Dias, questionou se cortar verbas da educação resolveria o problema.

Bolsonaro, então, perguntou se a repórter era da Folha de S. Paulo. Ao responder afirmativamente, a jornalista ouviu que o jornal “não deveria contratar qualquer uma para ser jornalista, ficar semeando a discórdia e perguntando besteira e publicando coisas nojentas por ai”. O presidente também disse que Marina Dias deveria entrar de novo “numa faculdade que presta e fazer bom jornalismo”.

“É uma canalhice isso que vocês fazem”

Em dezembro de 2019, a TV Globo divulgou uma reportagem que mostrava que o suspeito da morte da vereadora Marielle Franco se reuniu com outro acusado no condomínio em que mora o presidente Jair Bolsonaro antes do crime.

Na ocasião, segundo o porteiro do condomínio, Élcio de Queiroz disse que ia à casa de Bolsonaro, mas seguiu para o local onde vivia Ronnie Lessa, também no condomínio Vivendas da Barra.

Jair Bolsonaro estava na Arábia Saudita e fez uma transmissão nas redes sociais para reagir à reportagem. “Isso é uma patifaria, TV Globo! TV Globo, isso é uma patifaria!", disse Bolsonaro

"É uma canalhice o que vocês fazem. Uma ca-na-lhi-ce, TV Globo. Uma canalhice fazer uma matéria dessas em um horário nobre, colocando sob suspeição que eu poderia ter participado da execução da Marielle Franco, do PSOL."

O presidente ainda ameaçou não renovar a concessão da emissora em 2022. "Temos uma conversa em 2022. Eu tenho que estar morto até lá. Porque o processo de renovação da concessão não vai ser perseguição, nem pra vocês nem para TV ou rádio nenhuma, mas o processo tem que estar enxuto, tem que estar legal. Não vai ter jeitinho pra vocês nem pra ninguém".

Jornalistas deixam de ir ao cercadinho

Após diversas ofensas, resposta grosseiras e hostilidades do presidente Jair Bolsonaro e dos apoiadores, diversos veículos de comunicação decidiram deixar a cobertura em frente do Palácio da Alvorada, no chamado “cercadinho”.

A Folha de S. Paulo, o Grupo Globo, a Band, o Metrópoles e o Correio Braziliense optaram por não comparecer mais ao local. No mesmo dia em que os veículos de comunicação anunciaram a decisão, o presidente disse aos jornalistas: “O dia que vocês tiverem compromisso com a verdade eu volto a falar com vocês”.

Os meios de comunicação explicaram que não havia segurança suficiente para os jornalistas trabalharem, já que a presidência da República não tornava o ambiente apropriado para que eles trabalhassem.

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