Alemanha aprova socorro bilionário à empresa de energia, 1ª vítima da crise do gás na Europa

O governo alemão concordou em socorrer a empresa de energia Uniper com um montante de cerca de US$ 17 bilhões. A companhia, considerada a primeira vítima da crise do gás na Europa, quase entrou em colapso depois que a Rússia reduziu o fornecimento do insumo ao país.

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O governo alemão terá uma participação de 30% da empresa de energia .

O chanceler alemão Olaf Sholtz, que segundo o jornal britânico Financial Times interrompeu suas férias no sul da Alemanha, para concluir o acordo, disse que a Uniper é de “importância primordial” para a economia e para o fornecimento de energia para empresas e clientes residenciais no país.

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A Uniper é a maior importadora de gás russo da Alemanha e enfrentava insolvência desde que a Gazprom, da Rússia, reduziu drasticamente o fornecimento de gás para a o país em meados de junho. Autoridades em Berlim temiam que um colapso da empresa pudesse desencadear o mesmo em todo o setor de energia.

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De acordo com o FT, Scholz traçou paralelos entre o resgate e a famosa promessa do ex-chefe do BCE, Mario Draghi, de fazer “o que for preciso” durante a crise da dívida da zona do euro.

- É exatamente a mesma coisa agora – faremos todo o necessário para garantir que o país, suas empresas e cidadãos passem por essa situação - disse a repórteres em Berlim.

O plano prevê, além da compra das ações da empresa, a oferta de empréstimo público de até € 7,7 bilhões (US$ 7.821 bilhões) em bônus conversíveis, que serão convertidos em ações futuramente.

A Uniper, com sede em Düsseldorf, vem gastando dezenas de milhões de euros por dia complementando o suprimento de gás em falta com alternativas mais caras.

França também socorre empresa do setor de energia

Além disso, há previsão de aumento de linha de crédito do banco público de fomento, o KfW, para a companhia no valor de € 2 bilhões a € 9 bilhões (US$ 2,031 bilhões a US$ 9,143 bilhões) .

No início do mês, o governo da França decidiu assumir 100% do controle da empresa de energia Électricité de France (EDF), num momento em que as tarifas de eletricidade não param de subir e a Europa enfrenta risco de desabastecimento, situação agravada com a guerra na Ucrânia.

A EDF já é uma estatal. O Estado francês detém 84% do seu capital. Mas a decisão do governo da França indica mudança na estratégia para o setor, algo que já havia sido sinalizado pelo presidente Emmanuel Macron durante a campanha por sua reeleição, em março.

Gás será 'energia verde' na Europa

O gabinete do governo alemão aprovou, neste mês, lei que prevê que o governo arque com pacotes de resgates, incluindo a compra de participações acionárias nas empresas em dificuldade na área de energia. O projeto deve seguir para o Parlamento nos próximos dias.

A crise no setor de energia é tamanha que o Parlamento Europeu votou para permitir que o gás natural e a energia nuclear sejam rotulados como fontes energéticas verdes, removendo a última grande barreira ao financiamento de bilhões de euros de investidores ambientais.

A Europa tem metas ambiciosas de redução de emissões dos gases do efeito estufa, mas passa por uma crise energética profunda crise de energia. Para depender menos do petróleo e gás russos, os países do continente estão investindo em novos projetos e nem todos tinham o rótulo de energia limpa.

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