Alemanha aumenta restrições para quem não tomou vacina e recomenda 3ª dose

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em meio à explosão de novos casos de Covid-19 na Alemanha, o país decidiu impor restrições para pessoas que não se vacinaram e ofertar uma terceira dose do imunizante contra a doença para todos com mais de 18 anos.

As restrições a quem se recusa a tomar vacina foram anunciadas também na Áustria, no último domingo (14), e na Grécia, nesta quinta-feira (18).

Lideranças nacionais e regionais da Alemanha se reuniram nesta quinta e concordaram em restringir, nas áreas onde houver lotação de hospitais, o acesso a eventos públicos, culturais e esportivos, além de restaurantes, só para quem já está vacinado ou que comprove que se recuperou de uma infecção recentemente.

A medida é necessária para enfrentar uma quarta onda "muito preocupante" da pandemia, disse a primeira-ministra Angela Merkel. "Muitas das medidas que agora são necessárias não teriam sido necessárias se mais pessoas fossem vacinadas. E não é tarde demais para se vacinar", afirmou.

Merkel disse ainda que o governo federal também estuda um pedido dos governos regionais por uma legislação que lhes permita exigir que os profissionais de saúde e hospitais sejam vacinados.

Além das restrições a quem não se vacinou, o comitê consultivo de vacinas do país recomendou nesta quinta a terceira dose do imunizante contra a Covid-19 para todas as pessoas com mais de 18 anos.

As doses de reforço devem ser administradas com uma vacina de RNA mensageiro (mRNA), como são as da Pfizer e da Moderna, e somente seis meses após ter sido tomada a segunda dose, detalhou o comitê. Ainda segundo o colegiado, uma redução do intervalo para cinco meses pode ser considerada em casos individuais.

O país ultrapassou a marca de 60 mil novos casos diários pela primeira vez desde o início da pandemia. O número, já preocupante, é considerado subnotificado por especialistas. Lothar Wieler, chefe do Instituto Robert Koch, voltado para o controle de doenças no país, afirmou que a situação da pandemia nunca foi tão séria como agora e que o número real de casos deve ser o dobro ou mesmo o triplo do que é registrado oficialmente, segundo informações da emissora alemã Deutsche Welle.

Pouco mais de 67% da população do país está com esquema vacinal completo, e, desde o início da crise sanitária, 98,5 mil mortes por Covid foram registradas.

Com a menor taxa de vacinação e o maior índice de infecção do país, a Saxônia, no leste da Alemanha, está considerando impor um lockdown parcial, com proibição de espetáculos de teatro, shows, bares e festas, além de impedir público em jogos de futebol, publicou o jornal Bild nesta quinta-feira.

Reduto do partido da extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD), manifestantes antivacina protestaram na Saxônia contra os lockdowns. Uma pesquisa do Instituto Forsa apontou que metade dos não vacinados votou na AfD nas últimas eleições federais.

"A coalizão [do governo] está pronta para impor uma clara e dura quebra de onda [de novos casos de Covid]", disse Michael Kretschmer, chefe do governo da região, ao parlamento nacional, de acordo com o Bild. Os detalhes das novas restrições serão acertados esta semana, disse.

A atual onda de Covid-19 na Europa chega em um momento difícil na Alemanha, com a primeira-ministra Angela Merkel atuando como interina enquanto três outros partidos negociam para formar um novo governo após a eleição de setembro.

Parcela dos conservadores próximos de Merkel pressiona para que o governo federal tome medidas mais duras, como a extensão do estado de emergência que permite que o governo feche escolas e faça lockdowns sem consultar o parlamento.

Em Freising, na Baviera, no sudeste do país, um hospital transferiu um paciente com Covid-19 para outra instituição no norte da Itália por falta de leitos, medida inédita na Alemanha desde o início da pandemia —nos 18 meses de crise da doença, os hospitais alemães foram regularmente solicitados a cuidar de pacientes de países europeus sobrecarregados.

"Na semana passada tivemos que transferir um paciente para Merano [Itália] porque não tínhamos capacidade e os hospitais da Baviera ao redor também estavam lotados", disse Thomas Marx, diretor do hospital de Freising, cidade de 50.000 habitantes. "Estamos no limite de nossas capacidades"

Com uma taxa de incidência de 550 infecções por 100.000 habitantes em sete dias, a Baviera é uma das regiões mais afetadas por essa onda da doença.

ÁUSTRIA ESTUDA AMPLIAR LOCKDOWN COM AVANÇO DA DOENÇA

O anúncio de novas restrições na Alemanha vem na mesma semana que a Áustria impôs um lockdown para os não vacinados, que poderão sair de casa apenas para atividades essenciais. Com 971,5 casos por 100 mil habitantes nos últimos sete dias, o país tem uma das taxas de infecções mais altas do continente.

Entre as regiões mais atingidas do país estão justamente as províncias que fazem fronteira com a Alemanha, como a Alta Áustria, reduto do ultra-direitista Partido da Liberdade, e Salzburgo.

"Se nenhum lockdown nacional for decretado amanhã, definitivamente terá que haver um lockdown de várias semanas na Alta Áustria junto com nossa província vizinha de Salzburgo a partir da próxima semana", disse Thomas Stelzer, governador conservador da Alta Áustria. "Temos muito, muito pouco espaço de manobra [com leitos de unidade de terapia intensiva]", disse ao parlamento local.

O governo de Salzburgo, também liderado por conservadores, afirmou nesta semana que está se preparando para um cenário de falta de leitos de UTI disponíveis e confirmou que planeja um lockdown em conjunto com a província vizinha.

Os governadores da Áustria farão uma reunião na sexta-feira (19) com o premiê, o conservador Alexander Schallenberg, e com o ministro da Saúde, Wolfgang Mueckstein, para discutir um lockdown nacional.

As infecções diárias nesta quinta-feira atingiram um novo recorde, com 15.145 casos. Na onda de infecções mais grave antes da atual, o pico havia sido de 9.586 infecções.

GRÉCIA PASSARÁ A EXIGIR VACINA EM ESPAÇOS FECHADOS

A partir da próxima segunda (22), pessoas não vacinadas serão impedidas de entrar em espaços fechados na Grécia, incluindo restaurantes, cinemas, museus e academias, mesmo que tenham em mãos um resultado negativo para a Covid-19, disse o primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis.

Em discurso transmitido pela televisão, Mitsotakis voltou a pedir que os gregos "tomem vacina, tomem vacina, tomem vacina", repetiu.

A Grécia vacinou totalmente cerca de 62% de sua população de cerca de 11 milhões de pessoas, mas as autoridades esperavam uma taxa de cerca de 70% a essa altura do ano.

"Esta é de fato uma pandemia de pessoas não vacinadas", disse Mitsotakis. "A Grécia está de luto por perdas desnecessárias porque simplesmente não tem as taxas de vacinação de outros países europeus."

De acordo com as novas regras, os certificados de vacinação para maiores de 60 anos serão válidos por sete meses após a emissão, em um esforço para incentivá-los a receber uma terceira dose de reforço.

Fiéis, no entanto, poderão entrar em igrejas apenas com um teste negativo, disse o primeiro-ministro.

O número de novas infecções atingiu recordes históricos na Grécia neste mês, pressionando um sistema de saúde já em dificuldades e forçando o governo a solicitar médicos do setor privado em cinco regiões do norte do país para ajudar os hospitais públicos.

A Grécia contabilizou 7.317 novos casos e 63 novas mortes nesta quinta, elevando o total de infecções desde o início da pandemia para 861.117, e o número de mortes para 17.075.

No início de novembro, o governo já havia imposto restrições aos não vacinados, mas permitiu o acesso à maioria dos serviços desde que tivessem um teste negativo, o que não será mais válido agora.

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