Alemanha avalia 'prós e contras' de entregar tanques Leopard à Ucrânia

O governo alemão afirmou, nesta sexta-feira (20), que está avaliando os "prós e contras" de entregar los tanques Leopard insistentemente pedidos pela Ucrânia para enfrentar a invasão russa.

"Não estamos hesitando, apenas estamos pesando os prós e os contras (...) Temos a responsabilidade de pensar, detidamente, nas consequências para todas as partes no conflito", disse à imprensa o novo ministro alemão da Defesa, Boris Pistorius, na base aérea de Ramstein (oeste), onde os aliados da Ucrânia discutem o reforço do apoio à ex-república soviética invadida pela Rússia em fevereiro de 2022.

"A impressão" de que a Alemanha se opõe à entrega de tanques à Ucrânia é "falsa", afirmou.

"Muitos aliados compartilham a opinião" de Berlim, garantiu o ministro, afirmando que "há boas razões para estar a favor e boas razões para estar contra estas entregas".

No início da reunião, o presidente ucraniano, Volodimir Zekensky, exortou seus aliados a acelerarem as entregas de armas pesadas, especialmente de tanques e mísseis de longo alcance.

“Está em suas mãos” poder “lançar esta importante entrega que vai deter o mal”, disse o presidente, em mensagem por videoconferência.

Pouco antes do início da reunião, o Kremlin havia afirmado que a entrega de tanques ocidentais à Ucrânia não mudará "nada" no campo de batalha.

"Essas entregas (de tanques) não vão mudar nada (...) criarão novos problemas para a Ucrânia", disse o porta-voz presidencial russo, Dmitri Peskov.

Com isso, acrescentou ele, os países ocidentais alimentam a "ilusão" de uma possível vitória ucraniana no terreno.

- "Momento decisivo" -

Segundo especialistas, o Leopard 2, um tanque moderno de design alemão, pode ter um grande impacto nos combates no leste da Ucrânia, onde a Rússia retomou a ofensiva após vários reveses.

A cidade sitiada de Bakhmut (leste), atual epicentro da guerra, voltou a ser bombardeada nesta sexta-feira, segundo os jornalistas da AFP.

As autoridades russas de ocupação observaram um "forte aumento da intensidade" dos combates na região de Zaporizhia (sul), com confrontos "ao longo de toda a linha do 'front'".

Em Ramstein, o secretário americano da Defesa, Lloyd Austin, insistiu em que os aliados ocidentais devem aumentar sua ajuda militar para a Ucrânia.

"Temos que aprofundar ainda mais, é um momento decisivo para a Ucrânia", frisou.

"Todos podemos fazer mais", declarou Austin, após an reunião, acrescentando que a Alemanha é um "aliado confiável".

De acordo com o secretário, os Estados Unidos preveem uma contraofensiva ucraniana contra as tropas russas na próxima primavera (outono no Brasil), e os aliados devem se preparar para apoiá-la.

"Temos uma janela de oportunidade, a partir de agora até a primavera (...) enquanto começam sua operação, sua contraofensiva", disse Austin à imprensa.

"Não é muito tempo e temos que unir nossas melhores capacidades", insistiu.

Também nesta sexta, o Reino Unido se comprometeu a Ucrânia a tentar fazer reconhecer a "responsabilidade penal" da Rússia por sua "invasão ilegal", no momento em que cresce o apoio internacional a um tribunal especial.

O ministro britânico das Relações Exteriores, James Cleverly, chamou a invasão da Ucrânia de "escandalosa violação da ordem internacional".

- Promessas de armamentos -

Horas antes dessas negociações, Estados Unidos, Reino Unido, Suécia e Dinamarca haviam anunciado novas entregas de armas ao país.

Washington desbloqueou um novo pacote de ajuda militar no valor de US$ 2,5 bilhões, que inclui 59 veículos de combate de infantaria Bradley e um grande número de veículos blindados, de acordo com o Pentágono.

Com este último pacote, a ajuda militar total dos EUA à Ucrânia desde a invasão russa chega a mais de US$ 26,7 bilhões. Este novo apoio não contempla, porém, tanques pesados, como o "Abrams". Washington se recusa a enviá-los para Kiev, alegando motivos de manutenção e de treinamento.

O Reino Unido enviará 600 mísseis adicionais do tipo Brimstone; a Dinamarca, 19 canhões Caesar; e a Suécia, canhões de longo alcance Archer. A Finlândia engrossou a lista hoje, com um pacote que incluirá artilharia pesada e munições.

O Reino Unido já havia prometido 14 blindados pesados Challenger 2, e a Polônia disse que está disposta a entregar 14 tanques de combate Leopard 2, de fabricação alemã. O total ainda está longe das centenas de veículos desse tipo pedidos pela Ucrânia.

O encontro de Ramstein reúne ministros da defesa e altos oficiais militares de mais de 50 países.

Um dos conselheiros de Zelensky, Mikhailo Podoliak, pediu na quinta-feira (19) aos países ocidentais que "parem de tremer diante de Putin" e entreguem blindados pesados a Kiev.

Os países ocidentais temem que, apesar das garantias ucranianas, Kiev intensifique o conflito, usando essas armas para atacar território russo e suas bases aéreas e navais na Crimeia. A região foi anexada pela Rússia em 2014.

Nesta sexta, a ONU anunciou de um primeiro comboio humanitário perto de Soledar, uma cidade do leste da Ucrânia, cuja conquista foi reivindicada na semana passada pelo Exército russo e por mercenários da milícia Wagner. Kiev nega a queda de Soledar.

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