Alemanha dá resposta à Fifa com mãos na boca, mas emudece com a bola nos pés

Havia grande expectativa pela estreia da Alemanha por alguns motivos. Campeã do mundo em 2014, a seleção decepcionou na Rússia e caiu na primeira fase, e todos queriam saber qual delas estaria em campo nesta quarta-feira. A outra questão era o posicionamento da seleção em relação à campanha 'One Love', que apoia a causa LGBTQIA+. O goleiro Neuer bancaria o uso da braçadeira nas cores do arco-íris apesar das ameaças da Fifa? No futebol, a resposta ainda não definitiva, mas a derrota de virada para o Japão, por 2 a 1, mostrou que há potencial e muitas falhas a serem corrigidas. Na defesa dos direitos humanos, a foto dos jogadores com as mãos na boca, como símbolo de censura, correu o mundo rapidamente e foi a resposta possível no momento.

O recado foi dado à entidade que ameaçou punir os capitães das equipes europeias que entrassem em campo com a braçadeira da campanha. Neuer tentou esconder a braçadeira da Fifa, que lançou uma campanha genérica, às vésperas do Mundial, contra a discriminação. A federação foi dura na sua nota oficial: "Não se tratava de fazer uma declaração política - os direitos humanos são inegociáveis. Isso deveria ser dado como certo, mas ainda não é caso. Por isso, essa mensagem é tão importante para nós. Nos negar a braçadeira é o mesmo que nos negar a voz. Mantemos nossa posição".

Agora, a federação local pretende ir à Corte Arbitral do Esporte contra a Fifa pela proibição do uso da braçadeira.

- Foi um posicionamento. Nós fizemos o que pudemos fazer. Nós tentamos ajudar do jeito que podemos - disse o atacante alemão Harvertz.

A imprensa alemã não achou suficiente o gesto alemão. Queria mais atitude dos jogadores. Mas os ventos da inesperada derrota na estreia levaram a cobrança de volta ao campo. A auto-crítica também foi feita pelos jogadores, que sabe que entregaram menos do que podiam.

Gundogan, autor do primeiro gol da partida, quando a Alemanha tinha total domínio e o placar seria ampliado em questões de momento, foi o que mais cobrou a si e aos companheiros. O jogador do Manchester City ainda estava inconformado com o segundo gol do Japão. Asano finalizou sem ter qualquer marcação.

- Nós facilitamos demais para eles. Principalmente o segundo gol, não sei se já teve gol mais fácil em Copa do Mundo, isso não deveria acontecer. Estamos aqui na Copa do Mundo. Acho que dominamos a maior parte do jogo. Manu (Neuer) nos salvou uma vez no segundo tempo. Tivemos algumas chances inacreditáveis ​​no ataque e não marcamos o segundo. A forma como os gols foram sofridos em oito minutos foi fácil demais - disse Gundogan, criticando a postura do time sem citar nomes. - Nem todo mundo realmente queria ficar com a bola. Perdemos a bola com muita frequência e com muita facilidade.

Num jogo em que o time domina as ações ao longo de 2/3 da partida, tem inúmeras chances e permite a virada em menos de 10 minutos, há muito o que consertar. Os alemães mostraram potencial no primeiro tempo. Mas a lentidão na saída da defesa para o ataque foi o ponto fraco encontrado pelo Japão no segundo tempo.

Todos apontaram os erros individuais na marcação que permitiram Doan e Asano fazerem os gols da virada na reta final do jogo. Mas, num jogo coletivo, erros individuais também significam falhas no todo

-O Japão claramente nos venceu hoje em termos de eficiência. Os erros individuais que cometemos simplesmente não devem acontecer - disse o técnico Hansi Flick.

Agora, os alemães entrarão pressionados diante da Espanha, que goleou sem dó a Costa Rica por 7 a 0. Os três pontos japoneses diante dos costarriquenhos parecem ser favas contadas. Ou a Alemanha solta a voz diante dos espanhóis ou voltarão para casa como em 2018.