Alemanha e Israel condenam comentários de presidente palestino sobre Holocausto

Chanceler alemão Scholz se reúne com presidente palestino Mahmoud Abbas

Por Miranda Murray e James Mackenzie

BERLIM/JERUSALÉM (Reuters) - O chanceler alemão, Olaf Scholz, expressou desgosto nesta quarta-feira pelas declarações do presidente palestino, Mahmoud Abbas, afirmando que diminuíram a importância do Holocausto, enquanto Israel acusou Abbas de contar uma "mentira monstruosa".

Durante uma visita a Berlim na terça-feira, Abbas acusou Israel de cometer "50 Holocaustos" em resposta a uma pergunta sobre o 50º aniversário do ataque à equipe israelense por militantes palestinos nas Olimpíadas de Munique, em 1972.

"Para nós alemães em particular, qualquer relativização da singularidade do Holocausto é intolerável e inaceitável", tuitou Scholz nesta quarta-feira. "Estou enojado com as declarações ultrajantes feitas pelo presidente palestino Mahmoud Abbas."

O gabinete de Scholz convocou o chefe da missão diplomática palestina em Berlim para protestar contra as declarações de Abbas, disse um porta-voz do governo alemão.

O primeiro-ministro israelense, Yair Lapid, chamou os comentários de "desgraça".

"Mahmoud Abbas acusar Israel de ter cometido 50 Holocaustos não é apenas uma desgraça moral, mas uma mentira monstruosa", disse Lapid no Twitter.

Em resposta ao clamor, Abbas emitiu uma declaração chamando o Holocausto da Alemanha nazista, no qual 6 milhões de judeus foram mortos, de "crime mais hediondo da história humana moderna".

Ele afirmou que seu comentário na terça-feira não pretendia negar a singularidade do Holocausto, mas destacar "os crimes e massacres cometidos contra o povo palestino desde a Nakba nas mãos das forças israelenses".

Nakba, ou catástrofe, é o termo que os palestinos usam para descrever o êxodo em massa de palestinos que fugiram ou foram expulsos de suas casas na guerra de 1948 que acompanhou a criação do Estado de Israel.

O Conselho Central de Judeus na Alemanha expressou "horror" com os comentários de Abbas, que, segundo a entidade, atropelaram a memória dos 6 milhões de judeus que morreram e mancharam a de todas as vítimas do Holocausto.

Ao lado de Scholz, Abbas se referiu a uma série de incidentes históricos em que palestinos foram mortos por israelenses na guerra de 1948 e nos anos seguintes.

"De 1947 até os dias atuais, Israel cometeu 50 massacres em vilarejos e cidades palestinas, em Deir Yassin, Tantura, Kafr Qasim e muitos outros, 50 massacres, 50 holocaustos", disse Abbas.

As declarações de Abbas se seguiram a meses de tensão e um breve conflito neste mês, durante o qual 49 pessoas foram mortas em Gaza depois que Israel realizou uma série de ataques aéreos em resposta ao que disse ser uma ameaça iminente do grupo militante Jihad Islâmica, que disparou mais de mil foguetes em resposta.

(Reportagem adicional de Ali Sawafta em Ramallah e Nidal al-Mughrabi em Gaza)