Lavrov acusa Reino Unido e França de mobilizarem forças de elite na Síria

Astana, 17 mar (EFE).- O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, acusou neste sábado Reino Unido e França de mobilizarem forças de elite em segredo na Síria, em ações que tachou de "envolvimento direto na guerra" que o país vive.

"Na Síria estão as forças especiais dos Estados Unidos, que não o negam, mas também estão as forças de elite do Reino Unido, da França e de outros países, que não divulgam a sua presença", disse Lavrov em entrevista exibida pela emissora pública do Cazaquistão.

Perguntado se alguns países ocidentais se envolveram em uma guerra subsidiária na Síria do lado da oposição, Lavrov respondeu que na realidade se "envolveram de forma direta" no conflito armado.

"Certamente que condenamos a presença ilegítima de forças armadas (estrangeiras) em território sírio. Mas somos realistas, e entendemos que não podemos combater com eles", disse o chanceler.

Ao mesmo tempo, lembrou que a Rússia já advertiu os Estados Unidos contra um eventual ataque direcionado às dependências do governo sírio em Damasco, possibilidade mencionada há poucos dias pela embaixadora americana na ONU, Nikki Haley.

"Não sei quem os deu poderes para dizerem que estão dispostos a bombardear Damasco, sem se importarem se estejam existem representantes russos lá. É uma declaração irresponsável, e advertimos com dureza os americanos" contra essa possibilidade, ressaltou Lavrov.

O chefe da diplomacia russa insistiu que o cessar-fogo na região de Ghouta Oriental, nos arredores de Damasco, não poderá ser aplicado enquanto as milícias opositoras no local continuarem atirando contra as áreas residenciais da capital síria.

"Para que a zona de distensão (em Ghouta Oriental) comece a funcionar, devem cessar os ataques contra as áreas residenciais de Damasco. É preciso ter garantias que não haverá violações do cessar-fogo", analisou.

O ministro russo detalhou que essa região anexa a Damasco "é controlada pela Frente Al Nusra" e lamentou que outros grupos opositores de Ghouta Oriental tenham se colocado ao comando dessa organização terrorista, antiga aliada da Al Qaeda.

As autoridades militares russas na Síria informaram que 30 mil civis abandonaram Ghouta Oriental neste sábado pelo corredor humanitário aberto pela Rússia.

No entanto, o Observatório Sírio de Direitos Humanos, com sede em Londres, classificou essa saída como "fuga" e a atribuiu à amplia ofensiva do exército sírio contra a região, último reduto da oposição na região de Damasco.

Segundo a ONG, nessa fuga para os corredores humanitários, pelo menos 36 civis morreram neste sábado devido aos bombardeios de aviões sírios em dois povoados de Ghouta Oriental. EFE