Estados Unidos cortam financiamento ao Fundo de População da ONU

Nações Unidas, 4 abr (EFE).- Os Estados Unidos decidiram cortar todo o seu financiamento ao Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, sigla em inglês) com o argumento de que o mesmo apoia um programa de abortos forçados na China, algo que a agência negou categoricamente nesta terça-feira.

"O UNFPA rejeita esta afirmação, pois todo seu trabalho promove os direitos humanos de indivíduos e casais para que tomem suas próprias decisões, livres de coação ou discriminação", afirmou o Fundo em comunicado.

A decisão foi comunicada ontem ao Senado americano mediante uma carta do Departamento de Estado e representa o primeiro grande corte do governo de Donald Trump a entidades das Nações Unidas.

No passado, os EUA já tinham deixado de financiar esta agência por decisão de governos republicanos, enquanto o apoio era retomado tradicionalmente com administrações democratas.

O Fundo, especializado em planejamento familiar e saúde reprodutiva, é há anos alvo das críticas de políticos conservadores e de organizações religiosas no país.

Entre outras coisas, estes grupos acusam o UNFPA de apoiar e participar da gestão de um programa de abortos forçados e esterilizações involuntárias na China.

Essa afirmação é "errada", insiste o Fundo, que ressaltou que os países da ONU descrevem há muito tempo seu trabalho na China como "uma força para o bem".

Esta decisão dos EUA segue outra tomada em janeiro por Trump que proíbe o uso de fundos do governo para subsidiar grupos que praticam ou oferecem assessoria sobre o aborto no exterior.

Conhecida como a "política da Cidade do México", trata-se de uma postura republicana que data dos anos 1980 e que o ex-presidente Barack Obama tinha cancelado.

Anunciada pela primeira vez na capital mexicana em uma conferência da ONU em 1984, essa proibição foi muito criticada por ONGs como a Médicos Sem Fronteiras (MSF), que consideram que a mesma só proporciona a existência de mais abortos não seguros.

No caso do UNFPA, os EUA eram até agora um dos principais contribuintes de seu orçamento e o Fundo lembrou que a ajuda de Washington permitiu, por exemplo, combater a violência de gênero e reduzir a mortalidade materna em lugares como Iraque, Nepal, Sudão, Síria, Filipinas, Ucrânia e Iêmen.

"Sempre avaliamos os Estados Unidos como um sócio confiável e um líder para ajudar a garantir que toda gravidez seja desejada, que todo nascimento seja seguro e que todos os jovens desenvolvam todo seu potencial". EFE