Alemanha planeja acionar Fifa na última instância da justiça desportiva após veto a braçadeira na Copa do Catar

A federação de futebol da Alemanha (DFB, na sigla original) pretende acionar a Fifa na Corte Arbitral do Esporte (CAS), última instância da justiça desportiva mundial, após o veto ao uso da braçadeira pró-LGBTQIAP+ na Copa do Mundo do Catar. Os jogadores alemães protestaram contra a Fifa colocando as mãos sobre a boca, em um gesto de "mordaça", antes da derrota de virada sobre o Japão nesta quarta-feira, por 2 a 1.

Antes da partida, o presidente da federação alemã, Bernd Neuendorf, declarou ao canal de televisão ARD que fará uma reunião na quinta-feira, com representantes de outros seis países proibidos de usar a braçadeira com os dizeres "One Love", para tomar uma decisão sobre o caso. As federações de países como Alemanha, Dinamarca e Inglaterra desistiram de orientar seus jogadores a usar a braçadeira depois que a Fifa ameaçou com punições esportivas e sanções disciplinares.

Embora proibida em campo, a braçadeira foi usada no Estádio Internacional Khalifa, em Doha, pela ministra do Interior da Alemanha, Nancy Faeser, ao lado de autoridades do Catar e do presidente da Fifa, Gianni Infantino.

— A Fifa tem atuado com intimidação e pressão. Estamos em oposição a eles. Queremos avaliar como podemos iniciar novas medidas (contra a Fifa) — declarou Neuendorf.

Segundo o tabloide alemão "Bild", a alternativa estudada pela federação alemã é ingressar com um pedido de liminar no CAS para garantir blindagem provisória aos jogadores que decidam usar a braçadeira proibida pela Fifa. Um comitê específico montado pelo CAS para a Copa do Mundo tem até 48 horas para se manifestar em ações desse tipo, o que poderia levar à autorização para que o item fosse usado pela Alemanha na segunda rodada, contra a Espanha, no domingo.

Neste caso, o capitão da seleção alemã Manuel Neuer poderia usar a braçadeira sem correr o risco de levar cartões amarelos ou de provocar perda de pontos para a Alemanha durante a Copa. Isto, é claro, se o CAS acolhesse o pedido. Na estreia contra o Japão, nesta quarta, Neuer teve de usar a braçadeira oficial distribuída pela Fifa, sem uma mensagem específica de combate à homofobia, e chegou a esconder o item debaixo do uniforme.

— A DFB (federação alemã) está checando se esta ação da Fifa (de proibir o uso da braçadeira, sob risco de sanções) está dentro da legislação esportiva — disse o diretor de mídia da federação alemã, Steffen Simon, na terça-feira, em declaração reproduzida pelo portal "Kicker".

Nesta quarta-feira, o presidente da federação de futebol da Dinamarca, Jesper Möller, afirmou que cogita até se desfiliar da Fifa ao criticar a postura da entidade em relação à defesa e promoção dos direitos humanos e de minorias. Em entrevista coletiva, Möller disse que não está "apenas decepcionado, e sim irritado" com o que classificou como "métodos sujos" usados pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino, para evitar o uso da braçadeira pelos jogadores.