Alemanha, Polônia e Suécia respondem à Rússia com expulsão de diplomatas

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O chanceler russo, Serguei Lavrov (D) e o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, durante entrevista coletiva em Moscou

Alemanha, Suécia e Polônia anunciaram nesta segunda-feira (8) que vão expulsar diplomatas russos, em resposta à expulsão por Moscou de diplomatas desses países da União Europeia (UE) acusados de participarem de protestos em apoio ao opositor Alexei Navalny.

O Ministério das Relações Exteriores dos três países anunciaram quase simultaneamente sua decisão de expulsar cada um dos diplomatas russos, declarando-os "personae non gratae".

A reação de Moscou veio imediatamente. "Esta decisão é infundada e hostil", declarou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zajarova, mais uma vez denunciando a "interferência" do Ocidente nos assuntos internos do país.

Ao anunciar e justificar na sexta-feira sua decisão de expulsar diplomatas de Alemanha, Suécia e Polônia, a Rússia os acusou de terem participado de protestos pró-Navalny em 23 de janeiro em Moscou e São Petersburgo, e que considerou as ações "inaceitáveis e incompatíveis com seu estatuto".

Eles foram pegos "em flagrante delito", segundo a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia.

- Inaceitáveis -

As expulsões dos europeus foram consideradas "inaceitáveis" pela Ministra das Relações Exteriores da Suécia, Ann Linde, para quem o diplomata sueco expulso "estava apenas cumprindo suas obrigações".

A Suécia confirmou na sexta-feira que um de seus diplomatas havia "observado" uma manifestação em São Petersburgo como parte de suas funções, mas rejeitou qualquer participação ativa.

O diplomata alemão expulso procurava apenas "averiguar pelos meios legais a evolução da situação no local", destacou o Ministério das Relações Exteriores alemão.

O Ministério das Relações Exteriores da Polônia também considerou a decisão de Moscou "injustificada".

A Rússia anunciou as expulsões poucas horas depois de uma reunião em Moscou entre o chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Josep Borrell, e o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov.

"É verdade que nossas relações estão severamente tensas", disse Borrell diante de Lavrov, reiterando seu pedido pela libertação do opositor e pelo "início de uma investigação imparcial sobre seu envenenamento" em agosto passado.

A UE pode decidir sobre novas sanções contra Moscou, mesmo que sejam difíceis de aplicar. Os chanceleres da UE se reunirão no dia 22 de fevereiro para discutir a missão de Borrell em Moscou e os próximos passos em relação à Rússia.

- Palavras "muito agressivas" -

Para a chanceler alemã, Angela Merkel, a expulsão "injustificada" dos europeus é outro "aspecto" que mostra que a Rússia está muito longe do estado de direito.

"No entanto, ela confirmou a validade do polêmico projeto de gasoduto Nord Stream 2 que liga Rússia e Alemanha. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, criticou duramente a Rússia, em particular por seu tratamento do caso Navalny, declarações descritas como "muito agressivas" pelo Kremlin.

Inimigo juramentado do governo russo, Navalny, 44 anos, foi condenado em 2 de fevereiro a cumprir pena de dois anos e oito meses de prisão por não respeitar um controle judicial datado de 2014. O opositor acusa as autoridades de tentar silenciá-lo.

Ele foi preso em 17 de janeiro ao retornar da Alemanha para Moscou, após se recuperar de um envenenamento que atribui ao presidente russo, Vladimir Putin.

Sua prisão gerou manifestações em todo o país. ONGs, a mídia russa e os países ocidentais denunciaram uma repressão brutal que deixou quase 10.000 detidos.

Navalny apareceu novamente no tribunal na sexta-feira, acusado de espalhar informações "falsas" e "insultuosas" sobre um ex-combatente da Segunda Guerra Mundial que defendeu um referendo de 2020 para dar a Putin mais poderes em um vídeo.

O opositor, que pode ser condenado ao pagamento de multa ou prisão, denuncia uma perseguição política.

O ativista anticorrupção também enfrenta outra investigação por "fraude maciça", um crime que pode levar a 10 anos de prisão.

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