Alemanha relembra 75º aniversário dos Julgamentos de Nuremberg

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Vista da sala de audiências do Tribunal de Nuremberg, em setembro de 1946
Vista da sala de audiências do Tribunal de Nuremberg, em setembro de 1946

Durante muito tempo relutante a mergulhar em seu passado, a Alemanha relembra, nesta sexta-feira (20), o 75º aniversário dos Julgamentos de Nuremberg, o ponto de partida da justiça internacional, durante os quais 21 importantes líderes nazistas foram julgados.

Devido à pandemia, esta cerimônia será realizada sem público na sala 600 do tribunal, a mesma em que Hermann Goering, ex-número dois do regime, e Joachim von Ribbentrop (ou Rudolf Hess), ex-homem forte de Adolf Hitler, foram julgados a partir de 20 de novembro de 1945.

O presidente da República, Frank-Walter Steinmeier, uma autoridade moral muito respeitada no país, pronunciará um discurso em um contexto marcado pela ascensão da extrema direita e do antissemitismo na Alemanha.

Esta cerimônia é o ponto de partida para vários eventos organizados por ocasião deste 75º aniversário. Este ano, a maioria deles será on-line.

Em 20 de novembro de 1945, as mais importantes autoridades nazistas, após os suicídios de Hitler, Joseph Goebbels e Heinrich Himmler, sentaram-se no banco dos réus para responder por seus crimes durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Parcialmente destruída pelos bombardeios, Nuremberg era um símbolo do nazismo, onde Adolf Hitler realizou seus inúmeros eventos públicos e onde leis contra os judeus foram promulgadas em 1935.

Os julgamentos duraram um ano e foram o embrião da Justiça internacional, que posteriormente resultou na criação de tribunais especiais para julgar os genocidas de Ruanda e os responsáveis pelo conflito na antiga Iugoslávia e, finalmente, no Tribunal Penal Internacional (TPI).

Os acusados, que se declararam "inocentes", tiveram de responder por crimes de guerra, crimes contra a paz e, pela primeira vez, por crimes contra a humanidade.

O veredicto foi anunciado em 1º de outubro de 1946: 12 sentenças de morte (incluindo uma à revelia para Martin Bormann, secretário de Hitler cuja morte era desconhecida à época), três sentenças de prisão perpétua, duas sentenças de 20 anos de prisão, uma de 15 anos, e outra de 10 anos. Três dos réus evitaram a prisão.

Inédito em sua forma, Nuremberg não escapa, porém, da crítica de uma justiça feita pelos vencedores e não está isenta de áreas de sombra, como o massacre de Katyn que a Promotoria soviética tentou em vão imputar aos nazistas.

Nuremberg foi palco de outros 12 processos de autoridades nazistas, incluindo médicos, ministros e militares.

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