Alemanha se prepara para votação que vai estabelecer o fim da era Merkel

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A chanceler alemã, Angela Merkel, durante uma cerimônia militar em Seedorf em 22 de setembro de 2021 (AFP/Hauke-Christian Dittrich)
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A Alemanha se prepara para virar a página no próximo domingo (26) após 16 anos de poder de Angela Merkel, com eleições legislativas de resultado incerto e que devem provocar longos meses de negociações para encontrar o sucessor da chanceler conservadora.

As eleições abrem uma nova etapa política na Alemanha, que tem Merkel como chefe de Governo desde 2005, e serão acompanhadas com grande atenção pela importância política e econômica do país na União Europeia (UE).

Ainda muito popular entre o eleitorado após quatro mandatos em que se tornou uma figura crucial na política internacional, Merkel é a primeira chanceler no cargo que não disputará a reeleição desde 1949.

Mas o que acontecerá com a coalizão entre a CDU/CSU democrata-cristã de Merkel e o SPD social-democrata?

Poucas vezes a incerteza foi tão elevada neste país antes acostumado a um sistema bipartidário que, quase com toda certeza, precisará de uma aliança entre dois ou inclusive três partidos para a formação de um governo.

Uma pesquisa publicada na terça-feira aponta a vantagem dos social-democratas liderados pelo ministro das Finanças, Olaf Scholz, com 25% das intenções de voto. Em segundo lugar aparece a CDU, com 22%, e o impopular Armin Laschet como candidato.

A crescente sensibilidade ecologista e a radicalização de um setor da população a respeito da política migratória provocaram o avanço de outros dois partidos, os Verdes (15%) e a extrema-direita do Alternativas para a Alemanha (AfD, 11%).

"As pesquisas não mostram um vencedor claro (...) Se levarmos em consideração a margem de erro, três partidos estão muito próximos", declarou à AFP o cientista político Karl-Rudolf Korte.

- Conservadores em crise -

A eleição pode representar um duro revés para os conservadores de Merkel que, até hoje, sempre superaram a barreira de 30% dos votos nas legislativas.

Seu novo líder, Armin Laschet, não conseguiu preencher a lacuna da popular chanceler.

Governador de uma das regiões mais populosas do país, Renânia do Norte-Westfalia, este homem de 60 anos, afável mas desajeitado, não convence nem os simpatizantes de seu partido.

As inundações fatais de meados de julho no oeste do país, que afetaram muito sua região, provocaram a queda de sua popularidade quando foi filmado sorrindo durante uma visita às zonas devastadas.

Ele pode levar os democrata-cristãos a uma derrota histórica, que pode deixar os conservadores sem o posto de chanceler e fora do governo.

Ao mesmo tempo, os social-democratas estão em uma boa fase: após uma série de derrotas eleitorais nos últimos anos, o SPD conseguiu reverter a tendência desde o início do ano com a designação de Olaf Scholz, atual vice-chanceler, 63 anos, como candidato.

Apesar de não transbordar carisma, ele conduziu uma campanha impecável na qual se apresentou como o verdadeiro sucessor de Merkel, que é conhecida pelo caráter austero e imagem competente.

Os ecologistas liderados por Annalena Baerbock, de apenas 40 anos, devem ter um papel chave no futuro governo, mas o terceiro lugar nas pesquisas é considerado decepcionante para os simpatizantes do partido, que há alguns meses viram a candidata liderar as pesquisas.

A candidata ecologista pende para uma coalizão com os social-democratas, mas a formação não descarta trabalhar com os conservadores como já fazem em algumas regiões alemãs.

- Meses de negociações? -

Com a extrema-direita descartada do jogo de alianças pelos demais partidos, outra formação se perfila como a chave do governo, o Partido Democrático Liberal (FDP), que aparece com 12% das intenções de voto.

Os liberais podem inclinar a balança para uma aliança tripla com social-democratas ou conservadores e ecologistas.

De todos os modos, o leque de opções para uma coalizão é amplo e as negociações podem durar meses, período em que Merkel e seus ministros prosseguirão à frente do governo de forma interina e com funções limitadas.

Por quatro mandatos, a chanceler administrou de maneira hábil a Alemanha durante vários momentos difíceis, da crise do euro à pandemia de covid-19, passando pele chegada de refugiados sírios e iraquianos em 2015.

Mas as questões na agenda do próximo governo ainda são numerosas: o atraso digital na administração e nas empresas, a transição ecológica, o envelhecimento da população, a desigualdade, a definição de uma política a respeito da China ou Rússia...

Nas eleições de 2017, os partidos alemães precisaram de cinco meses para estabelecer uma coalizão e formar o novo governo.

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