Alemanha vê 'primeiros sinais' de melhora na curva de contágios da covid-19

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Lothar Wieler, diretor Instituto Robert Koch (RKI, na sigla em alemão)
Lothar Wieler, diretor Instituto Robert Koch (RKI, na sigla em alemão)

A Alemanha, que fechou bares, restaurantes e outros estabelecimentos durante um mês, começa a ver os "primeiros sinais" de melhora na curva de contágios do novo coronavírus - afirmou o instituto de controle de doenças Robert Koch, nesta quinta-feira (12).

"A curva está achatando", declarou o diretor do instituto, Lothar Wieler, durante uma entrevista coletiva.

A taxa de infecção é próxima a 1, depois de ter sido superior a 3 em algumas regiões do país nas últimas semanas, quando um paciente infectava outras três pessoas.

Medidas de restrição, como o fechamento de bares e de restaurantes, a obrigação de usar máscara, ou limitações a reuniões privadas, "mostram que não somos impotentes" diante da epidemia de covid-19, continuou Wieler.

O diretor do RKI reconheceu que essa evolução poderia ser causada em parte por uma saturação dos laboratórios de análises, submersos pela demanda de testes.

Esses testes também não estão sendo realizados tão sistematicamente quanto nos meses anteriores, admitiu.

Agora, uma pessoa com sintomas leves não deve se submeter automaticamente a um teste, mas "ficar em casa em quarentena por pelo menos cinco dias".

Ele disse ainda que as medidas de restrição, como o "distanciamento físico, ou o uso de máscaras, vão nos acompanhar por muito tempo".

A Alemanha registrou 21.866 novas infecções nas últimas 24 horas, segundo o Instituto Robert Koch.

A situação continua sendo "muito grave", recordou Wieler.

"Devemos evitar o agravamento da situação [...] Nosso objetivo é levar as infecções a um nível que nosso sistema de saúde consiga suportar", completou.

A Alemanha, que conseguiu controlar a primeira onda da pandemia de covid-19 durante a primavera (hemisfério norte), registrou o aumento do número de novos casos nas últimas semanas.

A aceleração levou o país a endurecer as medidas de restrição, com o fechamento de restaurantes, bares, museus, teatros e academias.

A chanceler Angela Merkel e os governantes regionais se reúnem na próxima segunda-feira para fazer um balanço da situação e decidir novas medidas.

Merkel, que deixará o poder em um ano, advertiu que a pandemia "vai nos manter ocupados durante todo inverno".

A chanceler deixou a porta aberta, nesta quinta-feira, para uma possível retomada nas atividades dos restaurantes em dezembro.

As discussões terão como foco a proposta de Armin Laschet, líder da região mais populosa da Renânia do Norte-Vestfália, de antecipar as férias de Natal nas escolas para reduzir os riscos de contágio. O recesso começaria dois dias antes para limitar os contatos antes das comemorações familiares.

Esta eventual extensão "faz parte do debate", confirmou o ministro da Saúde, Jens Spahn.

E esta medida não vai impedir que o Natal e o Ano Novo sejam reduzidos ao mínimo, reconheceram as autoridades.

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