Alerj aprova tombamento da Cobal do Huimaitá, e texto agora vai para análise do governador Wilson Witzel

Renan Rodrigues
Movimento pequeno em um dos corredores da Cobal do Humaitá: Alerj aprovou tombamento do espaço, e lei agora segue para análise do governador Wilson Witzel

RIO — A assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou em segunda discussão, na tarde desta quarta-feira, o Projeto de Lei 1305/2019, de autoria do deputado Eliomar Coelho (PSOL), que tomba a Cobal do Humaitá. A proteção, no entanto, não vale para a unidade do Leblon. Os dois espaços pertencem ao governo federal, que pretende se desfazer dos terrenos. De acordo com o texto, apenas as divisórias internas dos boxes e o gradil que cerca o terreno do imóvel não foram tombados. O projeto de lei, agora, segue para análise do governador Wilson Witzel.

— Trata-se de discutir um pouco a cidade do Rio de Janeiro e o bairro Botafogo. Quem conhece, provavelmente é o único bairro da Zona Sul que não tem aquele espaço que os amigos e as famílias podem sentar. É um espaço de encontro. Ali oxigena o bairro de Botafogo não só pelo espaço que existe, mas também pela alegria daqueles que lá frequentam — afirmou o deputado Eliomar Coelho (PSOL), autor do projeto, durante discurso na Alerj.

O tombamento do espaço ocorre um mês depois do GLOBO mostrar que o  governo federal avalia se desfazer dos terrenos onde hoje funcionam as unidades da Cobal do Humaitá e do Leblon. Atualmente, os dois complexos comerciais são administrados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Mas, para a empresa pública, os empreendimentos não são rentáveis à União. Além disso, os contratos são complexos. Entre as opções sobre a mesa, está a de repassar a administração para a prefeitura do Rio ou para o governo do estado. Também há a possibilidade de revisão dos contratos para entregar as áreas à iniciativa privada.

A Cobal do Huimaitá, inaugurada em 1971,  hoje vive com a sujeira acumulada nos corredores, falta de manutenção nos banheiros, fiação elétrica emaranhada e infiltrações. Pelas contas da associação de lojistas, 53 dos 84 estabelecimentos do centro comercial estão fechados.

Na Cobal do Leblon, inaugurada em 1972, o cenário é semelhante ao visto no Humaitá. A fachada está pichada, há pisos quebrados, o teto mostra sinais de deterioração. Em plena manhã de segunda-feira, poucas lojas abriram as portas. Dos 128 espaços, entre lojas e boxes, disponibilizados para comerciantes, mais da metade deixou de funcionar, de acordo com estimativa dos remanescentes. Os que ainda acreditam que dias melhores virão reclamam da Conab e tentam se mobilizar para impedir o encerramento de suas atividades.