Alerj vota projeto de lei que concentra investigação de furto de cabos em única delegacia

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RIO - O caos nesta segunda-feira em ramais da Supervia é consequência de um crime que lesa toda a população: o furto de cabos de sinalização. Só no primeiro semestre deste ano, segundo a Supervia, foram 364 casos de furto de cabos, totalizando mais de 24 mil metros. Durante todo o ano de 2020, foram 335 furtos.

Nesta segunda-feira, quem precisou do trem para ir e voltar do trabalho teve que lidar com atrasos nos ramais. A circulação do ramal Japeri e a extensão Paracambi foi suspensa às 16h15, após o registro de arrombamento de instalações e furto de materiais de sinalização na região de Nova Iguaçu, por volta das 13h.

A ação criminosa impactou gravemente o sistema de sinalização e os trens precisariam ser licenciados via rádio por um grande trecho de onze estações, entre Anchieta e Engenheiro Pedreira, já próximo a Japeri. Segundo a concessionária, os criminosos levaram seis relés, peças que garantem o sistema de sinalização e são responsáveis pelo fechamento e abertura automática de sinais, por exemplo. Os equipamentos levados pesam cerca de oito quilos e custam aproximadamente R$ 30 mil cada. Um prejuízo total de R$ 180 mil em materiais.

Pela manhã desta segunda, também no horário de pico, os ramais Japeri e Belford Roxo já haviam circulado com intervalos alterados em função de outros casos de furtos de cabos.

O aumento do número de casos de furto de cabos levou a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) a votar um projeto de lei de 2017. Será votada na próxima quarta-feira (01), o PL 3620/2017, de autoria do deputado Carlos Minc (PSB), que concentra na Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD) as investigações de crimes de furto de cabos de energia elétrica destinados aos modais de transporte ferroviário e metroviário, e das demais concessionárias de serviço público.

O PL foi colocado em pauta semana passada e, na quarta-feira, será a última votação das emendas. Minc disse que concentrar as apurações numa delegacia vai dar qualidade às investigações:

— Os delegados e inspetores vão verificar dezenas de casos por mês. Com o passar de algum pouco tempo, vão saber qual é a o modus operandi. Então, vão saber quais são os ferros-velhos e sucateiros que vendem nas regiões, podendo ir em cima dos proprietários.

O parlamentar é autor da lei que obriga os ferros-velhos do estado a cadastrarem nome, endereço, identidade e CPF de quem negociar os cabos de cofre, tanto os vendedores quanto os compradores.

— Os ferros-velhos eram elo da cadeia da ladroagem; Nós, ambientalistas, sempre achamos que deveriam ser elo da cadeia da reciclagem, porque quase tudo se aproveita — acrescentou.

Pelo projeto, a DDSD também fica responsável pela apuração de furtos de água, de gás, de crimes relacionados à produção, comercialização e distribuição de combustível derivado do petróleo e de outras fontes de energia; de crimes de dano; de estelionato e outras fraudes que atinjam a atividade fim dos serviços concedidos e/ou permitidos pelo poder público, e, ainda, os que lhe são conexos.

A Supervia disse ainda que, desde o início do ano, já gastou mais de R$ 1 milhão com recuperação do sistema de sinalização devido a crimes de furtos de cabo. A concessionária explicou também que, devido à ausência de cabos de sinalização, por medida de segurança, os ramais operam com intervalos ampliados devido à necessidade de aumento da distância entre os trens, pois os maquinistas precisam aguardar ordem de circulação, já que o controle das composições passa a ser feito via rádio e não de forma automática.

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