Alerta de aumento de casos e internações por Covid pode exigir retomada de cuidados

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O crescimento de casos de Covid no Brasil já começa a refletir na alta de internações em leitos de UTI no estado de São Paulo e na explosão da taxa de positividade dos testes da rede privada, passando de 3%, no início de outubro, para mais de 23% até o dia 4 de novembro (um aumento de 524%).

Aliado a isso, a chegada de uma subvariante da ômicron, a BQ.1, algo que era esperado pelos especialistas, tem causado preocupação, especialmente por sua capacidade maior de escapar dos anticorpos.

Algumas medidas, porém, seguem as mesmas, como o uso de máscaras para evitar a transmissão, o isolamento por pelo menos 5 a 7 dias em caso de diagnóstico de Covid e a atualização com a dose de reforço mais recente —pelo menos para as pessoas que tomaram a última dose da vacina há mais de quatro meses.

Veja a seguir algumas recomendações de como evitar a transmissão do coronavírus e o que fazer para se proteger das novas subvariantes da ômicron.

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Como diferenciar os sintomas de gripe e Covid?

Segundo os especialistas, a diferenciação dos sintomas de gripe e Covid não é clara, especialmente em pessoas vacinadas. Em geral, os sintomas mais comuns da infecção pela variante ômicron do coronavírus (incluindo as subvariantes) são dor de garganta, dor de cabeça, coriza e fadiga (cansaço).

Em um momento de alta de casos, a chance de uma infecção gripal ser causada por ômicron é maior, mas não é possível descartar outros vírus respiratórios, como influenza. "Em um cenário ideal teria exame para influenza também na rede pública, mas a oferta é muito escassa. Fazer o teste quando apresenta sintomas gripais para descartar ou não se é Covid é o primeiro passo", diz a infectologista e professora da Unicamp, Raquel Stucchi.

Estou vacinado com três ou quatro doses para Covid. Posso me infectar pela subvariante BQ.1 da ômicron?

Sim. Apesar de garantirem proteção contra quadros graves e moderados, a proteção contra a infecção é menor e pode ocorrer de pessoas vacinadas com três ou mais doses contraírem o coronavírus, afirma o diretor clínico do Fleury, Celso Granato.

"Alguns estudos mostram que a proteção adicional de um reforço das vacinas atualizadas com a ômicron é um pouco maior para infecções leves. Será importante, no futuro, que vacinas inaláveis ou em spray nasal sejam aplicadas, pois elas agem para bloquear o vírus na sua porta de entrada, que são as vias respiratórias", afirma.

Receber uma dose de reforço agora irá me proteger contra as novas variantes do vírus?

Depende. Embora as vacinas contra Covid ainda em uso ofereçam uma boa proteção contra casos graves e hospitalizações, mesmo essa proteção costuma cair com o tempo, em torno de seis a quatro meses. A proteção contra infecções, que já é naturalmente mais baixa, fica ainda mais reduzida com o passar do tempo.

Ainda não é possível saber, porém, se uma vacina nova contra a ômicron em todas as pessoas irá oferecer uma proteção duradoura ou se o ideal é fazer reforços anuais, como com a imunização contra gripe.

A queda na taxa de proteção nas vacinas contra o coronavírus é relativamente mais curto do que com outros imunizantes, lembra o infectologista e presidente do departamento de imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria, Marco Aurélio Sáfadi.

Nesse sentido, pessoas mais velhas, com comorbidades, que estão há muito tempo sem receber um reforço podem se beneficiar de uma nova dose, mesmo que não seja ainda atualizada para as novas cepas.

Devo usar máscara para evitar a infecção?

A avaliação de risco hoje, com a retirada das medidas de proteção de saúde pública, torna-se individual, dizem os especialistas. Apesar disso, o governo estadual de São Paulo emitiu alerta nesta quinta-feira (10) sobre a alta de internações em UTI por Covid no estado e ressaltou a recomendação para uso de máscaras em locais de alto risco de transmissão do vírus, como hospitais, farmácias, transporte público, dentre outros.

Frente à variante ômicron, muito mais transmissível, é importante considerar um reforço das máscaras para impedir uma infecção —estudos mostram que máscaras do tipo PFF2 ou N95 são mais recomendadas para bloquear sua entrada.

Considerando ambientes hospitalares com alta incidência de pessoas doentes, médicos e especialistas recomendam usá-las caso seja necessário buscar atendimento médico.

Em geral, as vacinas contra Covid foram desenvolvidas para proteger especialmente contra a hospitalização e morte, mas não têm o poder de conter totalmente o contágio em si. Assim, mesmo pessoas vacinadas podem contrair o vírus e adoecer, por isso é importante continuar usando máscaras se tiver contato com pessoas infectadas ou em situações de alto risco de transmissão.

No sentido coletivo, se todas as pessoas em um ambiente fechado estiverem usando máscaras, a chance de transmissão do vírus é reduzida em até 70%, segundo um artigo publicado na revista Aerosol Science and Technology.

A eficácia das vacinas diminui com o passar do tempo? O que muda com a variante ômicron?

Os estudos feitos até agora mostram que duas doses das vacinas, frente à ômicron, têm eficácia reduzida.

Segundo um levantamento do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos), a eficácia da dose de reforço cai após quatro meses. Mesmo com a queda, a proteção continua alta, em torno de 78%, diz o órgão.

Já uma pesquisa feita no Reino Unido apontou que, no contexto da ômicron, a dose de reforço proporciona uma proteção 20 vezes maior para hospitalização e óbito comparada a indivíduos com apenas duas doses. O recorte etário foi acima de 50 anos.

Quando a quinta dose estará disponível?

Até o momento, o Ministério da Saúde, na gestão Jair Bolsonaro (PL), afirma que a estratégia de vacinação para o próximo ano, bem como a quantidade de doses utilizadas, está indefinida.

O plano de governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também não menciona uma estratégia de vacinação com uma quinta dose de reforço para 2023.