Alexandre Kalil confirma favoritismo e é reeleito em Belo Horizonte

FERNANDA CANOFRE
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BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - Como nas pesquisas que apontavam vantagem com folga sobre os adversários, Alexandre Kalil (PSD) confirmou o favoritismo nas urnas e foi reeleito prefeito da capital de Minas Gerais. Com 84,8% das urnas apuradas até as 22h30 deste domingo (15), ele tem 63,5% dos votos válidos. Bruno Engler (PRTB), com 9,89%, João Vitor Xavier, 9,25%, e Áurea Carolina (PSOL), 8,31%, vêm na sequência. Nas pesquisas realizadas pelo Datafolha na capital mineira durante a campanha, Kalil passou de 56% (em levantamento entre os dias 5 e 6 de outubro) para 61% (entre os dias 13 e 14 de novembro) —69% considerando apenas votos válidos. Na manhã de domingo, Kalil falou com jornalistas no seu local de votação, no bairro de Lourdes, e disse que estava confiante. “Se tudo se confirmar, porque foram sete institutos de pesquisa, a gente espera ter uma boa vitória hoje, mas com muita humildade. Acho que está nas mãos de Deus”, afirmou. Ele acompanhou a apuração em casa, no mesmo bairro, com os senadores Carlos Viana e Anastasia, ambos do PSD, os dois vices —o atual Paulo Lamac, e o que concorreu à reeleição agora, Fuad Noman— além do presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Agostinho Patrus (PV). Ex-cartola do Atlético-MG, ele disputou a primeira eleição em 2016, quando foi eleito prefeito em segundo turno, pelo PHS e com apenas dois partidos na coligação —PV e Rede—, derrotando o agora deputado estadual João Leite (PSDB), com 53% dos votos. No primeiro turno de 2016, ele ficou em segundo lugar, com 26% dos votos contra 33% do tucano. Kalil tinha ensaiado concorrer a deputado federal em 2014, pelo PSB, mas desistiu logo no início da campanha. Neste ano, no PSD, a coligação passou para um total de oito partidos, com tempo de TV de mais de dois minutos —na eleição passada, eram cerca de 20 segundos. O slogan “chega de político” sumiu da campanha. Os santinhos de agora tiveram a foto do prefeito com a cara séria. As medidas consideradas mais duras adotadas contra a pandemia do novo coronavírus, que mantiveram parte do comércio fechado por meses —shoppings centers só reabriram em agosto, com horário limitado, por exemplo—, apesar de criticadas por adversários e parte da população, não afetaram seus números. As decisões tomadas na pandemia parecem ter ajudado com a aprovação junto aos eleitores. Na primeira pesquisa do Datafolha destas eleições na capital mineira, o prefeito apareceu com aprovação de seis em cada dez eleitores, que avaliaram seu governo como ótimo ou bom. João Vítor Xavier teve a maior coligação da disputa de 2020 e o maior tempo de TV, mas teve dificuldade em alavancar as intenções de voto. Nos levantamentos do Datafolha, ele aparecia com 6%, na primeira pesquisa, do início de outubro, e passou para 9%, na pesquisa divulgada às vésperas da eleição —11% considerando apenas votos válidos. O deputado estadual e jornalista de rádio questionou em um de seus programas eleitorais a coerência em medidas de Kalil frente à pandemia, nos últimos meses, citando questões como a retomada de cinemas, mas não de escolas, como exemplo. Na sexta-feira (13), João Vítor publicou um vídeo nas redes sociais mostrando a avenida Vilarinho, ponto recorrente de alagamentos em dias de chuva na cidade, tomada por água. “Essa é a realidade que não apareceu na propaganda do Kalil. Ele entrou na Justiça para tirar do ar a nossa propaganda que falava a verdade sobre a Vilarinho”, disse. A deputada federal Áurea Carolina (PSOL) tentou reunir uma frente de esquerda nas eleições, mas acabou tendo apenas UP e PCB na sua chapa. Vereadora mais votada em 2016, ela também foi a deputada federal com mais votos na capital em 2018. Neste domingo, ela não pode votar porque teve teste positivo para o novo coronavírus. PT e PSDB, dois partidos tradicionais em Minas, apostaram em chapas puro-sangue neste ano, respectivamente com Nilmário Miranda, ex-ministro de Lula, e com Luísa Barreto, que foi secretária da gestão Romeu Zema (Novo). Os apoios de Zema e do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tiveram pouco impacto nos números de seus candidatos, respectivamente Rodrigo Paiva (Novo) e o deputado estadual, Bruno Engler (PRTB). Em uma live com Bolsonaro durante a semana, Engler disse que tinha esperança. “As pesquisas lá em Minas indicavam que a Dilma seria senadora, que o Zema nem para o segundo turno ia e que o Bolsonaro perdia para todo mundo no segundo turno. Hoje, o Zema é governador, a Dilma só fala bobagem no Twitter e não é nada, e o Bolsonaro é presidente." Também concorreram na capital mineira Cabo Xavier (PMB), Fabiano Cazeca (PROS), Lafayette Andrada (Republicanos), Marcelo Souza e Silva (Patriota), Marília Domingues (PCO), Professor Wendel Mesquita (Solidariedade), Wadson Ribeiro (PC do B) e Wanderson Rocha (PSTU).