Grandes unidades da JBS na América do Norte param abates após ataque cibernético

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Fábrica da JBS em Greeley, Colorado, nos Estados Unidos

Por Tom Polansek e Mark Weinraub

CHICAGO (Reuters) - A JBS suspendeu alguns turnos em grandes frigoríficos nos Estados Unidos e Canadá nesta terça-feira, depois de a empresa ter sido atingida por um ataque cibernético no fim de semana, ameaçando interromper as cadeias de abastecimento de alimentos e inflar ainda mais os preços.

O ataque fez com que as operações da JBS na Austrália fossem paralisadas na segunda-feira. A empresa, maior produtora de carnes do mundo, disse estar trabalhando para resolver o incidente que interrompeu o abate de animais nas fábricas da JBS em vários Estados dos EUA.

"No domingo, a JBS USA determinou ter sido alvo de um ataque cibernético que afetou alguns dos servidores que suportam seus sistemas de TI norte-americanos e australianos", afirmou a companhia em comunicado divulgado segunda-feira.

A empresa não respondeu a um pedido adicional de comentários sobre a natureza do ataque ou por que a produção de carne está sendo afetada. A JBS controla cerca de 20% da capacidade de abate de bovinos e suínos dos EUA, segundo estimativas do setor.

A JBS relatou o incidente algumas semanas após um ataque de ransomware ao Colonial Pipeline, o maior duto de combustíveis dos Estados Unidos, que paralisou a entrega por vários dias no sudeste dos EUA.

O ataque também ocorre em um momento de aumento dos preços globais da carne, à medida que a China aumenta as importações, os custos dos alimentos sobem e as fábricas continuam a enfrentar a escassez de mão de obra diante da pandemia de Covid-19.

O ataque cibernético pode elevar ainda mais os preços da carne bovina dos EUA ao restringir a oferta, disse o diretor financeiro da consultoria Partners for Production Agriculture, Brad Lyle.

O preço médio unitário da carne bovina in natura dos EUA em abril aumentou 5% em relação a março e cerca de 10% acima do ano anterior, de acordo com dados da NielsenIQ. Os preços da carne suína e do frango estão cerca de 5,4% acima do ano passado.

Os estoques americanos da proteína bovina congelada no final de abril estavam 5% menores que no ano anterior, enquanto as ofertas de carne suína congelada caíram 26%, de acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês).

Qualquer efeito sobre os consumidores dependeria de quanto tempo a produção é impactada, disse o consultor de gestão de risco e corretor de commodities da FuturesOne em Nebraska, Matthew Wiegand.

"Se durar vários dias, haverá uma escassez de serviços de alimentação", disse Wiegand. "A coisa boa é que isso aconteceu depois do Memorial Day. Você está no lado negativo da demanda e das reservas de verão".

Dois turnos de abate e processamento foram cancelados na fábrica de carne bovina da JBS em Greeley, Colorado, disseram representantes de sindicato por e-mail.

A JBS Beef em Cactus, Texas, também disse no Facebook que não funcionaria nesta terça-feira --atualizando uma mensagem anterior que dizia que a unidade funcionaria normalmente.

A associação de pecuaristas dos Estados Unidos disse no Twitter que havia relatos de JBS redirecionando caminhões de gado que chegavam às fábricas.

A JBS Canadá disse em uma mensagem no Facebook que os turnos tinham sido cancelados em sua fábrica em Brooks, Alberta, na segunda-feira e um turno até agora havia sido cancelado na terça-feira.

Um representante da empresa brasileira disse que as operações da companhia no Brasil não foram afetadas.

Uma fábrica de carne bovina da JBS em Grand Island, Nebraska, disse que apenas funcionários de manutenção e embarque estavam programados para trabalhar nesta terça-feira devido ao ataque cibernético.

"Continuamos trabalhando na situação e os manteremos informados sobre a produção na quarta-feira", disse em um "post" no Facebook de Grand Island.

O ataque cibernético da JBS estimulou uma nova rodada de suporte para melhorar a segurança cibernética.

O congressista Rick Crawford, um republicano do Arkansas, pediu um esforço bipartidário para garantir a segurança alimentar e cibernética.

"A segurança cibernética é sinônimo de segurança nacional, e também a segurança alimentar", escreveu ele no Twitter.

(Por Caroline Stauffer e Tom Polansek, com reportagem de Ana Mano, em São Paulo)