Aliado de Covas, Milton Leite é eleito presidente da Câmara Municipal de SP

ARTUR RODRIGUES E WILLIAM CARDOSO
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um dos principais aliados do prefeito Bruno Covas (PSDB), o vereador Milton Leite (DEM) foi eleito nesta sexta-feira (1º) presidente da Câmara Municipal de São Paulo. Leite obteve 49 votos, contra 6 de Erika Hilton, do PSOL. Chefe do Legislativo em 2017 e 2018, ele assume a Presidência após após dois mandatos de Eduardo Tuma (PSDB), outro aliado de Covas. Um dos principais cabos eleitorais do prefeito eleito na periferia, agora Leite será responsável por manter a governabilidade do tucano, que tem a maioria dos vereadores a seu lado. Dos 55 vereadores, 34 pertencem à base do prefeito. Nesta gestão, porém, a Câmara será menos amigável a Covas, já que a presença do PSDB caiu, a esquerda cresceu e também proliferou uma direita que faz oposição ao grupo político de João Doria (PSDB), do qual Covas faz parte. Somando PSOL e PT, a esquerda terá 14 dos 55 votos na Casa. Há ainda três vereadores do Patriota, ligados ao MBL (Movimento Brasil Livre), além de uma vereadora bolsonarista. Na eleição, porém, Leite teve até o apoio do PT, em troca de espaço em comissões e representatividade na Câmara. Leite volta ao comando da Casa em ano de votação de um dos principais projetos da Câmara, a revisão do Plano Diretor. O projeto é de grande interesse do mercado imobiliário, que almeja baratear taxas cobradas sobre o setor e que são usadas em melhorias na cidade. Milton Leite é conhecido pelo estilo trator ao aprovar projetos de aliados, o que garantiu a confiança de Doria como prefeito e, agora, como governador Doria. Na gestão estadual, Leite também tem indicações na pasta de Transporte e Logística. Ele também foi um dos que atuaram na costura que resultou na indicação do vice de Covas, Ricardo Nunes (MDB). Leite foi o segundo mais votado da Câmara, atrás apenas de Eduardo Suplicy (PT). Sua campanha foi uma das mais caras do país, com R$ 2,5 milhões em gastos. Ele chegou a ser multado em R$ 15 mil por propaganda irregular devido à sua campanha, que era onipresente na zona sul da cidade, conforme publicou o jornal Folha de S.Paulo. Leite concorreu contra Erika Hilton que, seguindo tradição no PSOL, resolveu lançar candidato próprio como uma maneira de dar visibilidade a plataformas do partido. "O PSOL não fará coro com a direita. Com muita humildade, serei candidata à presidência da Câmara para defender independência, políticas de combate à pandemia, plano municipal de vacinação e ampliação democrática no legislativo paulista", escreveu nas redes sociais no dia 30, quando foi noticiada sua candidatura.