Aliado de Bolsonaro, Tarcísio diz que presidente vai “tocar o barco”

Tarcísio de Freitas, eleito governador de São Paulo, foi ministro de Jair Bolsonaro (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)
Tarcísio de Freitas, eleito governador de São Paulo, foi ministro de Jair Bolsonaro (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)

Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador eleito de São Paulo, afirmou que ainda não conversou com Jair Bolsonaro (PL), mas declarou que não vê o resultado da eleição presidencial como uma derrota.

Para Tarcísio, Bolsonaro vai “tocar o barco” e fazer “o melhor possível” para governar até o fim do ano.

“Eu compreendo a situação agora do presidente, eu tenho certeza que ele fez o melhor pelo Brasil, pegou crises muito duras”, disse o governador eleito, em entrevista ao SP1, da TV Globo. “Eu tenho certeza que ele vai fazer o melhor possível até o final do seu mandato.”

“Eu tenho certeza que ele vai tocar o barco, é o grande líder da direita, tem um legado aí de 59 milhões de votos, fez senadores, fez governadores, fez deputados federais. Então, realmente, tem uma grande força política, eu acho que a gente não pode considerar esse resultado como uma derrota de forma nenhuma”, declarou Tarcísio.

Diferentemente do que prevê o protocolo, Jair Bolsonaro não se manifestou até o momento para reconhecer a vitória do adversário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Atualizações ao vivo

Quem é Lula?

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito presidente do Brasil nesta domingo (30). Com 50,83% dos votos, ele venceu o presidente Jair Bolsonaro (PL), que teve 49,17%. Essa será a terceira vez em que Lula será presidente da República, depois de ficar no cargo de 2002 a 2010. Agora, ele ocupará o posto até 2026. O vice-presidente será Geraldo Alckmin (PSB).

Entre as promessas de campanha do petista, ele comprometeu substituir o Auxílio Brasil pelo Novo Bolsa Família, com valor base de R$ 600, além de reajustar o salário mínimo acima da inflação, com valorização real. O petista se comprometeu a não tentar a reeleição ao fim do novo mandato, quando terá 81 anos.

Um dos desafios de Lula ao longo do período na presidência será a negociação com o Congresso Nacional. O PT conseguiu 68 deputados, mas a oposição é mais numerosa, o que pode gerar dificuldades para que Lula consiga aprovar projetos.

Ao longo do mandato, o presidente poderá indicar outros dois ministro ao Supremo Tribunal Federal, já que, em 2023, Ricardo Lewandowski e Rosa Weber deixarão os cargos, em maio e outubro, respectivamente.

História na política

Lula começou a militância na política como sindicalista, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. O petista já ocupou o cargo de deputado federal, sendo o candidato mais votado em 1986, com 651.753 mil votos.

Em 1989, Lula concorreu à presidência pela primeira vez, quando foi derrotado por Fernando Collor. Depois, perdeu a disputa em 1994 e, depois, em 1998, ambas vezes para Fernando Henrique Cardoso. O petista foi eleito pela primeira vez em 2002, quando derrotou José Serra (PSDB), e reeleito em 2006, vencendo o agora vice, Geraldo Alckmin, então no PSDB.

Lula deixou o posto com aprovação recorde, com 87% de avaliação positiva.

Biografia

Luiz Inácio Lula da Silva tem 67 anos e nasceu em 27 de outubro de 1945 em Garanhuns, cidade no interior de Pernambuco. Sétimo filho de Eurídice Ferreira de Mello, a família migrou para São Paulo no "pau de arara" e viveu no Guarujá. Em 1956, a família foi para São Paulo e, mais tarde, Lula se instalou no ABC Paulista, onde foi presidente do Sindicato dos Metalúrgicos.

Em 10 de fevereiro de 1980, Lula fundou o PT, juntamente com outros sindicalistas, intelectuais, políticos e representantes de movimentos sociais, como lideranças rurais e religiosas.

Lula foi casado com Marisa Letícia e teve cinco filhos: Luis Cláudio, Fábio Luiz, Sandro Luis, Marcos Cláudio e Lurian. Marisa Letícia morreu em 2017 após um acidente vascular cerebral.

Em 2022, Lula se casou novamente, com a socióloga Rosângela da Silva, a Janja.

O petista foi investigado pela Operação Lava Jato por favorecimento de empreiteiras e, em 2018, foi preso após ser julgado e condenado pelo ex-juiz Sergio Moro. Todas as condenações foram anuladas, após Moro ser considerado suspeito.