Aliados avaliam que Bolsonaro seguiu cartilha eleitoral no 7 de Setembro e celebram ruas cheias

SÃO PAULO, SP, 07.09.2022 - Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro participam de manifestação na avenida Paulista, em São Paulo, durante o dia da independência do Brasil, neste 7 de setembro.  (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 07.09.2022 - Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro participam de manifestação na avenida Paulista, em São Paulo, durante o dia da independência do Brasil, neste 7 de setembro. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL) comemoraram o discurso do chefe do Executivo nos atos de 7 de Setembro.

As duas falas, no Rio de Janeiro e em Brasília, foram muito parecidas e seguiram a cartilha eleitoral desenhada pelo entorno do mandatário, segundo integrantes da campanha bolsonarista.

Havia temor entre aliados de que Bolsonaro pudesse radicalizar diante dos manifestantes e atacasse o Judiciário, ou mesmo reeditasse promessas de não mais cumprir decisões de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

O diagnóstico da campanha de reeleição do presidente é que isso poderia ampliar sua rejeição, hoje em 52%, segundo o Datafolha. O primeiro turno das eleições ocorre em menos de um mês.

De acordo com aliados, o presidente fez uma fala considerada moderada para os padrões de Bolsonaro. Embora tenha feito ameaças veladas contra o STF, ele não xingou nenhum ministro, não defendeu golpe ou exortou descumprimento de decisões da Justiça.

Um integrante da campanha classificou o discurso em Brasília como "excelente". A avaliação é que Bolsonaro alcançou os objetivos da ala política dos seus aliados ao falar para mulheres e ressaltar feitos do governo.

O presidente falou de ações positivas, como o Auxílio Brasil e a transposição do rio São Francisco. Em seguida, reforçou todo o discurso da pauta conservadora, ao dizer ser contra a legalização das drogas e do aborto.

O chefe do Executivo destacou o papel da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, que esteve ao seu lado e discursou em Brasília. O tom machista adotado por Bolsonaro ao se referir a Michelle foi minimizado por aliados do presidente.

"A vontade do povo se fará presente no próximo dia 2 de outubro, vamos todos votar, vamos convencer aquelas pessoas que pensam diferente de nós, vamos convencê-los do que é melhor para o nosso Brasil. Podemos dar várias comparações, até entre as primeiras-damas. Ao meu lado, uma mulher de Deus e ativa na minha vida. Ao meu lado não, muitas vezes ela está é na minha frente", disse o presidente.

"Tenho falado com homens que estão solteiros: procure uma mulher, uma princesa, se casem com ela, para serem mais felizes ainda."

Citar mulheres em discurso tornou-se praxe de Bolsonaro, uma vez que as eleitoras são um dos segmentos que mais rejeita o mandatário.

Essa tem sido uma das maiores preocupações da campanha. Por isso, Michelle tem intensificado sua participação na busca para reeleger Bolsonaro.

O que mais fez aliados celebrarem foi a ausência dos ataques ao sistema eleitoral e de críticas mais incisivas a ministros do STF, em especial Alexandre de Moraes. Isso porque são falas que costumam repercutir negativamente no eleitorado.

Generais próximos ao ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, também respiraram aliviados pela ausência de ataques contundentes contra o Judiciário.

Dois militares ligados ao ministro disseram à Folha, sob reserva, que críticas ao presidente do TSE poderiam desmobilizar Moraes e áreas técnicas do tribunal no esforço de atender às sugestões das Forças Armadas para mudanças no processo eleitoral.

Auxiliares de Bolsonaro vinham aconselhando o presidente a evitar críticas às urnas eletrônicas, para não prejudicar a construção do armistício das Forças Armadas com o TSE.

Na véspera do Dia da Independência, no entanto, Bolsonaro fez novas declarações contra o sistema eletrônico de votação em entrevista à Jovem Pan -o que deixou militares receosos com o tom que seria adotado no 7 de Setembro.

O fato de Bolsonaro ter reiterado uma antiga ameaça foi minimizado, mesmo porque aliados do centrão têm sido críticos, também nos bastidores, a decisões de ministros do STF.

"Podem ter certeza, é obrigação de todos jogar dentro das quatro linhas da Constituição. Com uma reeleição, traremos para dentro das quatro linhas todos aqueles que ousam ficar fora delas", disse, usando uma comparação já empregada por ele para criticar o Supremo.

O entorno do chefe do Executivo comemorou ainda o fato de o presidente ter conseguido levar multidões para as ruas, em atos comparáveis aos do ano passado.

Para aliados, isso reforça a tese apelidada por eles de "Datapovo", de desacreditar as pesquisas que indicam o presidente em segundo lugar, atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O ministro Ciro Nogueira (Casa Civil) ressaltou o tamanho dos atos desta quarta. "[Bolsonaro] Demonstrou que é o único líder político desse país capaz de juntar multidões", disse Ciro à Folha.

De acordo com aliados de Bolsonaro, as fotografias dos atos são uma contestação simbólica e visual às pesquisas.

As imagens foram amplamente divulgadas por aliados. A equipe de marketing da campanha esteve no local também fotografando e gravando.

Além de as ruas cheias engajarem a militância, a expectativa é que elas contribuam para virar votos. Há esperança entre alguns aliados de que ocorra um fenômeno de animar eleitores de quem achava que o presidente não teria mais tantas chances no pleito.

Ademais, apoiadores do presidente podem tentar virar votos de indecisos, como o próprio presidente indicou em seu discurso.