Aliados de Daniel Silveira já admitem derrota por mais de 300 votos

Jussara Soares e Paulo Cappelli
·2 minuto de leitura

BRASÍLIA — Aliados do deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) já admitem que a Câmara manterá a prisão do parlamentar na sessão marcada para começar às 17h. Os mais pessimistas calculam uma derrota por 350 votos. A poucas horas do início da votação, deputados bolsonaristas fazem um último esforço com apelos por mensagem de WhatsApp e telefonema pela soltura do colega, mas têm recebido o silêncio como resposta.

Presidente da Frente Parlamentar da Segurança, o deputado Capitão Augusto (PL-SP) disparou as parlamentares pela manhã uma mensagem via WhastApp com apelo aos colegas. Com o título “05 principais fundamentos técnicos pela inconstitucionalidade da prisão do Deputado Federal Daniel Silveira”, o texto reunia declarações de advogados e do jornalista Alexandre Garcia na tentativa de conquistar votos pela soltura de Silveira. Capitão foi ignorado pela maioria dos destinatários e reconhece a dificuldade de sucesso:

— Estou pedindo aos parlamentares, mas o silêncio deles está me assustando. Alguns dizem que vão derrubar (a prisão), mas mais de 90% não se manifestam. Já pressenti que vamos perder e haverá mais de 300 votos favoráveis a manutenção da prisão — disse.

Para Capitão Augusto, a falta de apoio reflete o receio dos deputados em contrariar a decisão do Supremo Tribunal Federal. Daniel Silveira foi preso na noite de terça-feira, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, após gravar um vídeo com ataques aos integrantes da Corte. No dia seguinte, por unanimidade o STF manteve a prisão do parlamentar.

— Vejo vários parlamentares falando dessa questão do descontentamento dos STF se nossa decisão for contrária ao que os 11 decidiram. Digo aos deputados: isso é problemas deles, se vão ficar contente ou não. Temos que fazer o que é certo. É uma prisão que consideramos arbitrária — disse Capitão Augusto.

Um dos deputados federais mais próximos de Silveira, Carlos Jordy (PSL-RJ) afirma que, pelas conversas com colegas de parlamento, o aliado receberá cerca de 350 votos pela prisão. Segundo ele, às vésperas da votação, está muito difícil convencer deputados contrários a Silveira a mudarem de ideia.

— Quem podíamos convencer, já convencemos. O resto está irredutível. Ou porque não quer se indispor com o STF, ou porque é oposição ao governo, ou porque não gosta do Daniel Silveira pela forma como ele se expressa — disse Jordy.

— É uma pena que estejam julgando a pessoa, e não os fatos. Estão violando a prerrogativa da imunidade parlamentar. O Conselho de Ética é que seria o lugar adequado para avaliar se houve quebra de decoro. Não deveria haver interferência de um poder sobre o outro. Abre um precedente muito perigoso — completou.