Aliados de Bolsonaro atacaram o STF e organizaram atos antidemocráticos, mostra relatório da PF

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BRASILIA, BRAZIL - APRIL 11: Protesters pray during the March of the Christians (Pro-Christianity Manifestation) amidst the coronavirus (COVID-19) pandemic in front of the Brazilian Congress on April 11, 2021 in Brasilia, Brazil. During the act there were demonstrations of support for Brazilian President Jair Bolsonaro. Brazil has over 13.445,000 confirmed positive cases of Coronavirus and has over 351,334 deaths. (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)
Inquérito investiga envolvimento de parlamentares em atos antidemocráticos (Foto: Andressa Anholete/Getty Images)
  • Relatório da PF mostra envolvimento de apoiadores de Bolsonaro em atos antidemocráticos

  • Documento também fala sobre ataques ao Supremo Tribunal Federal após decisão que poderia punir agentes públicos durante a pandemia

  • Procuradoria Geral da República arquivou o inquérito

Um relatório parcial feito pela Polícia Federal mostra que os atos antidemocráticos realizados em diversas partes do Brasil foram organizados por aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Foi o mesmo grupo que atacou o Supremo Tribunal Federal depois de um julgamento sobre a pandemia de covid-19.

Os ataques ao Supremo aconteceram quando a Corte decidiu que gestores públicos poderiam ser punidos caso não seguissem a ciência durante a pandemia.

O documento foi encaminhado à Procuradoria Geral da República em janeiro e, no último domingo (6), o conteúdo foi revelado pelo Fantástico, da TV Globo. A PGR pediu o arquivamento do inquérito ao STF.

Segundo informações do relatório, a Polícia Federal analisou mensagens no celular do empresário Otávio Fakhoury, apoiador de Bolsonaro, trocadas com a deputada Bia Kicis, bolsonarista de primeira ordem, em 22 de maio de 2020.

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A parlamentar enviou um áudio ao empresário dizendo que “o [ministro Luís Roberto] Barroso chegou a citar a hidroxicloroquina. Ou seja, estão querendo impedir né o Bolsonaro de... de recomendar né”.

Na resposta, Fakhoury xinga os ministros do STF. “Canalhas. Olha, vai ser muito difícil terminar esse governo sem entrar de cabeça numa guerra institucional contra eles, porque eles é que invadem o Executivo.”

O ministro do STF foi o relator do julgamento que limitou a Medida Provisória que poderia lirar agentes públicos de punições durante a pandemia de covid-19. Um dia antes da troca de mensagens entre Bia Kicis e Otávio Fakhoury, a Corte decidiu que esses agentes poderiam ser punidos caso não seguissem critérios científicos e técnicos no combate à pandemia.

A decisão incluía a recomendação para o uso de medicamentos sem comprovação de eficácia para tratar a covid-19. Os ministros citaram explicitamente a hidroxicloroquina.

Apesar da conversa, a PGR pediu o arquivamento da investigação de Bia Kicis nos atos antidemocráticos. As manifestações aconteceram em abril de 2020 e tinham como pautas o fechamento do Congresso, ataques do Supremo Tribunal Federal, pedidos da reedição do AI-5, entre outros. O presidente Jair Bolsonaro chegou a discursar em um dos atos.

A PGR pediu o arquivamento de investigações de outros parlamentares, todos do PSL, assim como Bia Kicis.

  • Alê Silva (PSL-MG)

  • Aline Sleutjes (PSL-PR)

  • Carla Zambelli (PSL-SP)

  • Caroline de Toni, (PSL-SC)

  • General Girão (PSL-RN)

  • Guiga Peixoto (PSL-SP)

  • Junio Amaral, (PSL-MG)

De acordo com o Fantástico, o ministro Alexandre de Moraes enviou o relatório da Polícia Federal à PGR no dia 4 de janeiro. A resposta levou 5 meses e não foram feitas novas investigações.

À TV Globo, a PGR alega que recebeu o inquérito em fevereiro e justifica que arquivou a investigação porque, depois de um ano, a PF não aprofundou a investigações.

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