Aliados de Freixo acusam deputado bolsonarista de ameaçar ato político no Rio

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**Arquivo**RIO DE JANEIRO, RJ, 31.05.2019 - O deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL) em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio. Rodrigo lança na Alerj livro sobre seus 100 dias de mandato. (Foto: Ricardo Borges/Folhapress)
**Arquivo**RIO DE JANEIRO, RJ, 31.05.2019 - O deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL) em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio. Rodrigo lança na Alerj livro sobre seus 100 dias de mandato. (Foto: Ricardo Borges/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Um ato político no Rio de Janeiro terminou com tensão neste sábado (16). Lideranças políticas e militantes de partidos de esquerda afirmam que um grupo encabeçado pelo deputado estadual bolsonarista Rodrigo Amorim (PTB-RJ) fez ameaças e interrompeu uma caminhada com a participação do deputado federal Marcelo Freixo (PSB-RJ). Freixo é pré-candidato ao governo estadual.

O caso ganhou repercussão nas redes sociais. Políticos e militantes dizem ter sido encurralados por Amorim e outros homens na Praça Saens Peña, na Tijuca, zona norte do Rio. O local foi escolhido como ponto de encontro da agenda com Freixo durante a manhã.

Houve relatos de empurrões e xingamentos. Apoiadores do pré-candidato ao governo estadual também disseram que homens armados estavam na praça e que bandeiras foram rasgadas.

Em uma transmissão nas redes sociais, a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB), aliada de Freixo, confirmou que foi ao ato e disse que o grupo de Amorim buscou encurralar os presentes em um espaço próximo a feirantes.

"Começaram a agredir, a empurrar as mulheres, a empurrar as pessoas. Está tudo filmado", relatou. "Resolvemos parar a atividade porque obviamente não iria acabar bem."

"É uma denúncia da violência política que está ocorrendo nas eleições. Vamos tomar providências, e providências duras [...]. Não sairemos da rua. O povo não deve se intimidar. Democracia é estar nas ruas", acrescentou.

A praça localizada na Tijuca abriga um espaço apelidado por partidos de esquerda de "esquina democrática". O ponto costuma receber atos de viés político.

Em vídeo divulgado por sua assessoria à tarde, Freixo disse que foi até o endereço para conversar com feirantes e outros trabalhadores.

Sem citar o nome de Amorim, o pré-candidato afirmou que as pessoas presentes na agenda foram surpreendidas por um "deputado ligado ao governador Cláudio Castro e ao presidente Jair Bolsonaro".

"Ele estava acompanhado de dez marginais armados que foram para cima das pessoas [...]. Não é disso que o Rio de Janeiro precisa neste momento. O Rio precisa de paz, de união, de diálogo", disse.

"A gente já encaminhou todos os boletins de ocorrência para a Justiça Eleitoral", completou Freixo, que apoia o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), rival de Bolsonaro nas eleições deste ano.

AMORIM NEGA VIOLÊNCIA FÍSICA

A assessoria de Amorim afirmou que não houve violência física no episódio deste sábado. O parlamentar argumentou que estava na praça da Tijuca porque o local era ponto de partida para um evento do PTB em São Cristóvão, também na zona norte do Rio.

O deputado estadual ainda relatou ter ouvido ofensas contra sua família e a de Bolsonaro. Amorim esteve envolvido na quebra de uma placa em homenagem à vereadora Marielle Franco em 2018. Ele estava acompanhado na ocasião pelo deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ).

"O deputado Rodrigo Amorim informa que estava com apoiadores na Praça Saens Pena, ponto de encontro para irem a um evento do PTB em São Cristóvão, quando uma equipe do deputado Marcelo Freixo começou a ofender sua família e a do presidente da República", afirmou, em nota, a assessoria de Amorim.

"Freixo estava em campanha antecipada na praça, com sua equipe de seguranças armados irregulares, alvo de CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito] criada pelo deputado Rodrigo Amorim na Alerj [Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro]", completou.

Um vídeo compartilhado nas redes sociais indica uma discussão do parlamentar com outra pessoa não identificada neste sábado. O deputado é acompanhado por outros homens nas imagens. Há registro de gritos e xingamentos entre os presentes.

"Eu e outros militantes de esquerda estávamos em uma caminhada com Freixo na Praça Saenz Pena quando fomos atacados por um grupo armado bolsonarista liderado pelo deputado Rodrigo Amorim, que nos agrediu, quebrou bandeiras e nos ameaçou", escreveu o pré-candidato a deputado estadual Rodrigo Mondego (PT), que indicou que procuraria a polícia para registrar a ocorrência.

"Um monte de brutamontes armados (e exibindo suas armas), quebrando bandeiras e encurralando os pré-candidatos adversários é violência política. A justiça eleitoral precisa agir para impedir esses abusos e garantir uma disputa democrática. Queremos debate sobre propostas", afirmou Tiago Prata (PSB), o Pratinha, também pré-candidato a deputado estadual.

POLÍCIA INVESTIGA O CASO

A Polícia Civil relatou que o caso foi registrado na 19ª Delegacia de Polícia (Tijuca) como ameaça e injúria.

"Foram colhidos depoimentos dos envolvidos. O procedimento será encaminhado à Coordenadoria de Investigações de Agentes com Foro (CIAF), órgão especializado da Secretaria de Estado de Polícia Civil, que possui atribuição para dar seguimento a este tipo de investigação", afirmou.

Às vésperas das eleições, o Brasil acumula episódios de tensão e violência política. Neste mês, um ato com apoiadores de Lula na Cinelândia, no centro do Rio, foi alvo de um artefato explosivo.

Há uma semana, um policial penal federal bolsonarista invadiu uma festa de aniversário e matou a tiros o guarda municipal e militante petista Marcelo Aloizio de Arruda em Foz do Iguaçu (PR).

A Polícia Civil do Paraná, contudo, indicou que o crime teve motivo torpe. Ou seja, tecnicamente, não será enquadrado como crime de ódio, político ou contra o Estado democrático de Direito, por falta de elementos para isso.

A polícia admitiu que tudo começou com uma provocação do bolsonarista seguida de discussão por questões políticas e ideológicas. Mas diz que, para enquadrá-lo como um crime político, seriam necessários requisitos para isso, como o de tentar impedir ou dificultar outra pessoa de exercer direitos políticos.

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